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Henrí Galvão

7 de julho de 2018

Será que houve algum ser humano que nunca sentiu, nem que fosse por um único segundo, um impulso de transcendência ao olhar pro céu noturno?

E, quando esse impulso esbarra na realidade (como sempre acontece), como saber se vale a pena abrir mão dele ou não?

Letra:

Espera só eu terminar
Tudo o que eu tinha pra dizer
Quebrei a cara, mas foi porque quis
Voar mais alto que qualquer 14-bis

Não tenho ainda muito que mostrar
Por isso, só quero lembrar
Que nem só de pão vive quem tem fé
Nem só de ondas vive a maré

E eu sei que sou capaz
De ir muito além
De Centauro e Orion

Eu só preciso achar um jeito
De não depender demais
Dos caprichos das musas e dos jinns
E parar de perder tempo
Com um arrebatamento
Que eu nem sei se é pra mim
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Henrí Galvão

18 de junho de 2018

Se a música anterior que subi pra playlist impermanente falava da dificuldade de se dar explicações, a de hoje, de certa forma, fala do contrário: as dificuldades que vêm ao se explicar demais.

Principalmente quando, do outro lado, só o que se ouve é ruído.

Letra:

Não importa o quanto
Eu diga tudo que sei
Você ainda acha
Que é só apertar o play
E no melhor dos casos
Vai dizer que eu só faço
Nadar no raso


Seria até bom um dia ser
Esperto o bastante pra você
Me se me falta pedigree
Por que eu deveria insistir?

Henrí Galvão

7 de junho de 2018

Destino é uma palavra um tanto difícil de se definir.

Não sou dos que acreditam que tudo está predeterminado, mas também não ignoro que cada um tem suas vocações e interesses.

E acredito que há um motivo pra isso.

Ainda que uma pessoa, por qualquer que seja o motivo, não siga tal caminho (a sua “bem-aventurança”, como dizia Joseph Campbell), ele está sempre aí.

Mesmo quando a gente só possa intuí-lo num nível muito sutil.

Letra:

Nunca precisei abrir o horizonte em dois
Nem levantar o véu da consagração
Não, não, não, não, não
Antes que eu soubesse me defender
Botando todos aqueles pingos nos is
De alguma forma o plano já era esse aí
E era quase inevitável que terminasse assim

Henrí Galvão

18 de maio de 2018

De todas as músicas que já subi pra playlist impermanente, “Faustiana” é provavelmente a que teve mudanças mais drásticas na letra.

Eu poderia justificar isso falando de oxítonas, esquemas de métrica e essas coisas todas, mas prefiro que cada um ouça (e leia), e tire suas próprias conclusões:

Letra:

Isso de trocar dor por entendimento
Nunca vai me deixar em paz
Cada passo à frente
É como se fossem dois passos pra trás
E até sonhar já é demais

É tão difícil abrir mão do vício
De controlar o que sentir
Nunca encontrei nada
Sequer parecido com um frenesi
Que viesse pra me consumir

Falta a coragem de brincar com fogo até o fim
E não deixar que o fundo do poço se esconda de mim
Como seguir o tal do caminho do meio
Se eu nunca sofro por inteiro?

O que pode ser pior que estar cara a cara
Com a vida que eu deixei passar?
Era tanta conta solta
Que nunca cabia no meu colar
Que eu prefiro nem lembrar

Vai ser preciso terminar por onde comecei
E tropeçar nos mesmos erros outra vez
Pra admitir que nada do que eu disser
Vai me dar um grama de fé?

Não quero a liberdade de ocupar o espaço
Que me ensinaram a ocupar
Quero é rasgar a brecha
Por onde a sorte ou até o azar
Possa enfim me encontrar

Henrí Galvão

10 de maio de 2018

Apesar da playlist impermanente e dos textos pro blog, em geral sou mais de ouvir álbuns e ler livros.

Logo, achei que seria interessante compartilhar aqueles que estão fazendo a minha cabeça no momento.

E aí está a seção “sons & palavras”, pra quem quiser ver (e ouvir, é claro).

Henrí Galvão

3 de maio de 2018

Tem algo muito instigante na ideia de que o impossível, muitas vezes, é uma questão de prática.

É por isso que uma das frases de Van Gogh de que eu mais gosto vem de uma carta que ele escreveu ao seu amigo (e também pintor) Van Rappard.

No caso, ele falava dos desafios de pintar “Os Comedores de Batatas”: “eu continuo fazendo o que ainda não consigo de forma a aprender a fazê-lo.

Letra:

O ruído foi assustador
Nem sei como o motor aguentou
Fiz tudo o que podia
Mas o que entendo de engenharia?
Se escapei ileso
É porque tive muita sorte
Na próxima vez
Nem vou olhar pro retrovisor

Mas diz aí
Como você fica tão zen
Tendo que fazer outra parada
A menos de dez metros
Da reta de chegada?
Isso é de se esperar?

Henrí Galvão

17 de abril de 2018

Um dos motivos de eu frequentemente mencionar alguma referência por trás dessas canções é pra não perder de vista o fato de que elas nunca falam apenas de mim (por mais pessoais que sejam).

Talvez por isso eu me sinta um tanto desconfortável com a música de hoje, já que não vejo como apresentá-la por trás de alguma ideia mais palatável.

Ainda assim, confio que tudo que vale pras outras canções vale pra esta também:

Letra:

Se eu fosse mesmo
Só mais um farsante
Você iria perceber
Ou você acha
Que eu seria capaz
De enganar logo você?

Se eu continuo aqui
Não mereço alguma consideração?
Me diz se estou
No lugar errado então

E se eu disser
Que já passei da fase
De resistir à tentação?
Com um pouco de paciência
Pro bem ou pro mal
Fica até fácil dizer não

Se ainda estou de pé
Será que foi pura sorte então?
Será que sou
A regra ou a exceção?