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Henrí Galvão

3 de dezembro de 2018

Pode parecer óbvio dizer que tão ou mais importante quanto saber o que fazer é saber o que não fazer.

O que é até um alívio.

Afinal, não atrapalhar já pode ser, por si só, uma ajuda e tanto.

Letra:

Lá pelas 6 da manhã
Eu já começo a me aprontar
Pra quando o sol se põe

Mas te juro que nem sei
Por que ainda acho melhor
Ficar sem pai nem mãe

Não foi tão ruim
Ter cruzado o deserto
A mais de mil
Sem parar
Pra tapar o furo
No meu cantil
Pelo menos
Não faltou disposição

Sei que abusei do azar
Ainda assim, quero te pedir
Só mais um favor

Se eu me perder por aí
Queira me conceder
O benefício da dor

Me deixa ver
Qual o cúmulo
Da minha insensatez
E viver
Um fracasso e uma derrota
De cada vez

A areia do tempo
Nunca trai o charme do luar
De alguma forma
Eu sempre dou um jeito
De me superar
Ou de me remendar
Pode confiar
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Henrí Galvão

13 de novembro de 2018

Quase sempre me parece que a palavra ambição é usada de forma bastante limitada.

Afinal, se ela pode significar um “desejo veemente de poder ou do que dá superioridade”, também é possível entendê-la como um “grande desejo de realizar ou atingir algo“.

Olhando por esse lado, existe ambição maior do que buscar realizar a si mesmo?

Letra:

Nunca te alcancei
De nada adiantou
Ter tentado me pôr no seu lugar
Era tanto o que eu tinha
Que aprender a desejar

A sua carapuça não me serve
O que eu quero perder
Me move mais que qualquer quinhão
Seria isso uma bênção ou uma maldição?

Henrí Galvão

2 de novembro de 2018

Dizem que foi Grace Hopper – uma analista de sistemas da Marinha dos Estados Unidos – quem disse que, na dúvida, é melhor fazer e depois pedir desculpas, em invés de esperar por uma permissão.

Até porque, convenhamos, essa permissão quase nunca chega.

Letra:

Não é que eu tivesse a intenção
De chegar aqui sem mais ninguém
Só o que fiz foi me guardar
Da pressa do coração
De se ferir por qualquer um

Toda a minha vida eu fui
Como uma gota que não se dilui
Quem me daria permissão
Pra incitar uma explosão
Entre as auroras do norte e do sul
Que fosse repleta do azul mais cabal?

Henrí Galvão

18 de outubro de 2018

Uma questão sensível pra diferentes professores é o quão longe pode-se ir em determinado ensinamento.

Isso tende a ser frustrante pra um aluno que espera por grandes revelações logo de cara – sejam elas quais forem -, mas é também uma questão de precaução.

É difícil saber qual seria a reação de alguém ao se dar conta, antes da hora, da existência de um tom até então quase que inconcebível.

Letra:

Pode reclamar, pode me ofender o quanto quiser
Não adianta, que eu não vou te mostrar
O que te espera bem aqui do outro lado da fé
São ordens lá de cima, sabe como é

Se o preto e branco do papel
Quase nunca te satisfaz
Nem tente ler o livro dos céus
Melhor continuar com um pé atrás
É muito cedo pra querer
Se deslumbrar com o lilás

Henrí Galvão

8 de outubro de 2018

É verdade que, hoje em dia, é cada vez maior o risco de se tornar um “escravo do relógio”.

Mas também não é menos verdade que, sem ele, nem sempre é fácil dar a devida importância ao tempo.

A não ser, é claro, pra quem já está além dessas formalidades.

Mas ainda estou pra encontrar esse alguém.

Letra:

Não sou mais que ninguém
Disso eu sei muito bem
Aqui no meu ashram
É sempre de noite
E é sempre de manhã
Não canso de abusar
Do meu direito de nunca chegar
A qualquer conclusão
Não digo nunca, jamais

Henrí Galvão

1 de outubro de 2018

Uma das consequências de estar sempre mexendo na playlist impermanente é que as músicas que saíam acabavam ficando “soltas” no SoundCloud.

Pra resolver essa questão, ao invés de criar uma outra playlist por lá, decidi trazê-las para o Bandcamp.

Assim, elas agora fazem parte do que chamo de arquivo impermanente:

Por tabela, nada mais justo que a própria playlist impermanente esteja no Bandcamp também:

Com isso, todas as minhas músicas podem ser baixadas nos formatos mp3, wav, flac ou o que você preferir.

Henrí Galvão

18 de setembro de 2018

Às vezes duas pessoas podem ter valores tão diferentes que qualquer opinião contrária pode parecer mais que uma objeção.

Acaba parecendo uma provocação – quando não uma conspiração:

Letra:

Vamos supor que essa história toda
Não seja mais que uma grande mentira
De quem conspira pra nos anestesiar

Pois eu daria o braço a torcer
E nada me daria mais prazer
A minha fome é outra
Não dá pra ver?

Vamos supor também que o preço de estar certo
Seja andar quase sempre sozinho
Você ainda ia querer se aventurar?

Eu quase que não tenho condição
De carregar um peso um pouco maior
Mas quem em são consciência
Pode sentir dó de mim?