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Henrí Galvão

17 de janeiro de 2019

Chego quase a sentir inveja de quem se acostuma tanto a trucar que consegue fazer isso de forma muito natural, onde quer que vá.

Mas, levando em conta o trabalho que isso dá pra maioria das pessoas, as chances de ouvir alguém falar “retruco” são consideráveis.

Letra:

Alto lá, alto lá, alto lá
Ninguém entra sem crachá
Não vá me levar a mal
Mas cadê a sua credencial?

Se eu deixar você passar
Vai sobrar pra mim
E você não sabe o quanto
Me custou chegar aqui

Se você fosse mesmo
Quem diz que é
Precisava ficar se esgoelando
Que nem um garnisé?
Se quer bancar o maioral
Te dou um conselho
Vai ciscar em outro quintal
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Henrí Galvão

9 de janeiro de 2019

Tem muita coisa que a gente fala sabendo que é, no máximo, uma meia-verdade.

Mas a gente fala do mesmo jeito.

Talvez pra tentar fazer com que a metade que é verdadeira ocupe o lugar da outra.

Letra:

Se eu estou assim tão farto
De não sair de mim
O que mais posso fazer?
O que mais me falta ver?
Quis ir além da sujeição
À lei do Talião
Meu plano era singrar
Até sangrar
Mas nem sequer me atrevi
A passar da marca da cal
Que me divide por igual

 

Henrí Galvão

27 de dezembro de 2018

Tem uma parte de mim que volta e meia se pergunta onde eu estaria hoje se desde cedo tivesse sido mais honesto com minhas próprias vontades.

Talvez seja perda de tempo pensar nessas coisas. Mas se isso valer pra mais alguém, então já me sinto justificado em compartilhar a canção de hoje:

Letra:

É você mesmo quem quer
Usar um mocassim
Que mal cabe no seu pé
Não olha pra mim

Me avisa só quando você se cansar
Desse calo que tanto te dói
Ainda não é tarde
Pra perder a sua pose de herói
O que me diz?

Não vejo nada de mais
Em uns dois ou três mai tais
Ninguém aqui vai questionar
A sua devoção

Pode rezar pra quem for
Pode escancarar sua dor
No fim das contas só vai restar
Uma imagem desbotada
Do que podia ser

Henrí Galvão

3 de dezembro de 2018

Pode parecer óbvio dizer que tão ou mais importante quanto saber o que fazer é saber o que não fazer.

O que é até um alívio.

Afinal, não atrapalhar já pode ser, por si só, uma ajuda e tanto.

Letra:

Lá pelas 6 da manhã
Eu já começo a me aprontar
Pra quando o sol se põe

Mas te juro que nem sei
Por que ainda acho melhor
Ficar sem pai nem mãe

Não foi tão ruim
Ter cruzado o deserto
A mais de mil
Sem parar
Pra tapar o furo
No meu cantil
Pelo menos
Não faltou disposição

Sei que abusei do azar
Ainda assim, quero te pedir
Só mais um favor

Se eu me perder por aí
Queira me conceder
O benefício da dor

Me deixa ver
Qual o cúmulo
Da minha insensatez
E viver
Um fracasso e uma derrota
De cada vez

A areia do tempo
Nunca trai o charme do luar
De alguma forma
Eu sempre dou um jeito
De me superar
Ou de me remendar
Pode confiar

Henrí Galvão

13 de novembro de 2018

Quase sempre me parece que a palavra ambição é usada de forma bastante limitada.

Afinal, se ela pode significar um “desejo veemente de poder ou do que dá superioridade”, também é possível entendê-la como um “grande desejo de realizar ou atingir algo“.

Olhando por esse lado, existe ambição maior do que buscar realizar a si mesmo?

Letra:

Nunca te alcancei
De nada adiantou
Ter tentado me pôr no seu lugar
Era tanto o que eu tinha
Que aprender a desejar

A sua carapuça não me serve
O que eu quero perder
Me move mais que qualquer quinhão
Seria isso uma bênção ou uma maldição?

Henrí Galvão

2 de novembro de 2018

Dizem que foi Grace Hopper – uma analista de sistemas da Marinha dos Estados Unidos – quem disse que, na dúvida, é melhor fazer e depois pedir desculpas, em invés de esperar por uma permissão.

Até porque, convenhamos, essa permissão quase nunca chega.

Letra:

Não é que eu tivesse a intenção
De chegar aqui sem mais ninguém
Só o que fiz foi me guardar
Da pressa do coração
De se ferir por qualquer um

Toda a minha vida eu fui
Como uma gota que não se dilui
Quem me daria permissão
Pra incitar uma explosão
Entre as auroras do norte e do sul
Que fosse repleta do azul mais cabal?

Henrí Galvão

18 de outubro de 2018

Uma questão sensível pra diferentes professores é o quão longe pode-se ir em determinado ensinamento.

Isso tende a ser frustrante pra um aluno que espera por grandes revelações logo de cara – sejam elas quais forem -, mas é também uma questão de precaução.

É difícil saber qual seria a reação de alguém ao se dar conta, antes da hora, da existência de um tom até então quase que inconcebível.

Letra:

Pode reclamar, pode me ofender o quanto quiser
Não adianta, que eu não vou te mostrar
O que te espera bem aqui do outro lado da fé
São ordens lá de cima, sabe como é

Se o preto e branco do papel
Quase nunca te satisfaz
Nem tente ler o livro dos céus
Melhor continuar com um pé atrás
É muito cedo pra querer
Se deslumbrar com o lilás