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Henrí Galvão

16 de agosto de 2019

Não me considero cristão, embora tenha sido batizado e tenha feito a primeira comunhão e tudo mais.

Por outro lado, ultimamente venho me familiarizando um pouco melhor com as diferenças entre o Antigo e o Novo Testamento.

Não estou aqui pra tirar grandes conclusões, até porque a minha perspectiva seria até previsível pra quem realmente conhece a Bíblia.

Ainda assim, as diferenças entre o antes e o depois são consideráveis, não é?

Letra:

Veja o quão maravilhoso é o espetáculo da criação
Todo fruto lhe é permitido, exceto aquele – aquele não!
Prová-lo é ser deixado ao azar da intempérie que se seguirá
Quando as trevas trouxerem o caos e a desolação

Quem me desobedecer não será digno do meu perdão
Este será o primeiro a sofrer na minha mão
Eu sou o olho que tudo vê, não haverá onde se esconder
Quando as trevas trouxerem o caos e a desolação

Os rios serão cobertos de sangue
A noite cairá num só instante
E o terror estampará as faces
Do corajoso e do covarde

Não importa o quão justo você se julgue perante mim
Ou o quanto você anseie por antecipar o próprio fim
O seu destino eu já tracei, e a minha palavra é a lei
O que lhe é resta é esperar pelo dia da revelação
Não haverá tormento igual ao dos que seguem os caminhos do mal
Quando as trevas trouxerem o caos e a desolação
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Henrí Galvão

15 de julho de 2019

Foi ainda no final de abril que publiquei meu último texto para a série Enneagram & Music no Medium.

Assim sendo, achei que seria interessante ter uma discussão um pouco mais avançada sobre as implicações de se estudar os diferentes subtipos do Eneagrama.

Particularmente se você estiver entre os que são considerados contratipos nesse sistema.

Caso seja o seu caso (ou caso tenha interesse em saber melhor do que isso se trata), é minha esperança que o texto abaixo seja particularmente útil pra você:

View at Medium.com

Henrí Galvão

10 de julho de 2019

Se você clicou no link pro Bandcamp da música que compartilhei ontem, provavelmente já imagina o que vou falar aqui.

A partir de agora, todas as músicas que fazem ou fizeram parte da playlist impermanente têm os seus acordes no Bandcamp.

É só acessar cada faixa individualmente, que logo abaixo da letra você vai poder ver a cifra também. 🙂

Henrí Galvão

9 de julho de 2019

Sou um grande fã das possibilidades de se fazer muito com pouco.

Mas, como se sabe, toda virtude levada ao extremo acaba virando um pecado.

Além do mais, um pecado também pode virar uma virtude, não é?

Letra:

Até o seu suor te serve de manjar
Você sabe como aproveitar
Quase todo o espaço no bidê
E diz que é só questão de querer

Mas um único descuido pode ser fatal
Quando o seu cálice não é nenhum Santo Graal
E isso explica por que não veio ninguém
Pra se embebedar também

O quanto mais você vai aguentar?
Até quando vai ficar na conta do chá?
Será que não tem nada
Diferente de água ou café
Pra te manter de pé
E te deixar de prontidão
Pra um ataque que pode vir
De qualquer direção?

A cartilha manda não se misturar
É melhor prevenir que remediar
E não tem outra maneira de ter fé
Senão atrás de um ismo qualquer

Eu sei que os mandamentos são só dez
Mas, pelas barbas de Abraão e Moisés,
Nunca te deu vontade
De ir um pouco além do umbral
Que separa o bem do mal?
Pra curiosidade tem perdão
Pra covardia é que não

É bom não perder tempo
Enquanto ainda é capaz
De ser um pouco menos
E fazer um pouco mais

Henrí Galvão

20 de junho de 2019

Uma consequência de se estar frequentemente correndo contra o tempo – como é o meu caso – é sentir uma certa ansiedade que não se sabe nem de onde vem.

Deve ser uma ansiedade parecida com a de ler um livro sem ter ideia de quantas páginas ele tem:

Letra:

Não vou desperdiçar
Esse dom que a vida me deu
De me estropiar o quanto eu quiser
Desde que o azar seja só meu

Quem não está na minha pele
Acha que eu forço a garganta
Mas cantar não é difícil
Ficar calado é que cansa

Me disseram que eu só ia chegar
Até os 45, e olhe lá
Se for, isso é mais um motivo
Pra abrir um belo de um sorriso
A cada volta que o mundo dá

Não quero me gabar
Não foi pra isso que eu vim
Mas, se bobear, ainda vou estar aqui
Muito depois do fim

Confio no meu taco
Mais do que na minha fé
Quem sabe quando a montanha
Vai se mover por Maomé?

Mas não entendo como aconteceu
De me confundirem com um filisteu
Só porque eu tenho o olho grande
E o nariz mais redondo
Que uma bola de bilhar?
Quem sou pra me portar
Como um herege exemplar?
Não falo em nome de ninguém
Deus nenhum vai poder negar
Minha versão

Henrí Galvão

5 de junho de 2019

A gente se acostuma tanto a falar de amor pra expressar coisas tão diferentes, que na maior parte do tempo é difícil saber do que se está falando de fato.

Não acho que o meu trabalho seja o de dar nome aos bois. Mas acho que isso às vezes é quase inevitável:

Letra:

Quem te vendeu essa
De que o Taj Mahal
É o exemplo perfeito
O suprassumo, o ideal
Da mais pura devoção?

Me mostra um só rei
Ou faraó, ou sultão
Que soube aliviar
A dor do seu coração
Sem precisar contar
Com qualquer outro pranto
Além do seu

Não recrimino nenhum ato de amor
Mas vamos encarar os fatos, por favor
O sofrimento ocupa espaços
Que a boniteza nunca alcançou

Posso crer em tudo que só os meus olhos veem
Mas não posso forçar nem você, nem mais ninguém
A sonhar o mesmo sonho que eu
Que dirá lutar por ele também

Dizem que querer
Já é metade de poder
Mas quem vive repetindo
Esse tipo de clichê
Sempre tem tudo na mão

Daí onde está
Você só vai enxergar
Uma parte ínfima
Do meu chutzpah
E não dá pra achar
Essa liturgia
Em nenhum manual

Faço o que faço, em parte, pra te convencer
Que o que eu faço é menos que o que eu deixo de fazer
Não piorar as coisas é o mais perto de um conselho
Que eu tenho pra te dar

De que adianta carregar essa cruz
Se você não aguenta ver nem o seu próprio pus?
Você fala bonito, mas é só a pose do mártir
Que te seduz

Entre o seu sol e o meu
Vai uma distância de mil anos-luz

Henrí Galvão

22 de maio de 2019

Se na minha vida todos os “se” tivessem se encaixado como eu gostaria, provavelmente eu estaria hoje num cassino.

Vai ver é por isso que o cassino nunca saiu de mim:

Querendo ou não
É bom você se acostumar
Aqui só tem roleta e baccarat

Não vem dizer
Que o freguês tem sempre razão
Freguês é quem tem dinheiro na mão

Ainda estou pra encontrar
Algum grande apostador
Que se preocupe de verdade
Com as cartas que vieram
Ou as que ainda estão pra vir

Mas também tem quem vem pra jogar
No preto ou no vermelho
Pra ir perdendo bem devagar
São justamente esses
Os que tentam despistar o azar

Se o seu trabalho
É adiar o próprio funeral
O meu é te vender a pá e a cal

Acho até que estou
Te fazendo um favor
Não viu o quanto você já gastou?

Se não quiser ficar louco
Nem pense em dar o troco
As suas chances não vão mudar
Só por causa de uma sequência
Um pouco pior

Isso não é, nem devia ser
Tão difícil de entender
A matemática está aí
Pra quem quer ver
De que adianta culpar a banca
Ou o crupiê?