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Henrí Galvão

14 de novembro de 2019

Teve uma vez uma música que decidi chamar de “Arcos”.

A música em si me agradava; a letra, nem tanto.

Agora que a reescrevi, posso resumir o que sinto numa única palavra: completude.

Pra que falar em anil
Violeta, ardósia e bordô
Se nem Picasso descobriu
O que fazer com tanta cor?

Qual a necessidade
De saber o ponto exato
Em que cada uma deve ficar?
Isso é pura falta de fé
E sem fé não dá nem pra começar

Não sei se você percebeu
Mas os pincéis que você tem
São iguaizinhos aos meus
É a mesma marca, meu bem

Qual a sua desculpa
Pra não ver o que eu vejo?
Olha só pra esse céu ao seu redor
O trabalho é o mesmo
Pra todo e qualquer desejo
Desde o menor até o maior

Com certeza você já duvidou
Dessa tal de realidade
Então, me diz,
Quem você pensa que eu sou:
Um homem ou um avatar?

Você já tem ao seu dispor
Tudo que alguém pode querer
Pra ser um ótimo pintor:
Conhecimento, poder
E amor

Henrí Galvão

17 de outubro de 2019

O próprio ato de se dedicar a qualquer expressão artística já pode ser considerado uma forma de brincar com fogo.

E é quando essa brincadeira fica séria que isso fica mais evidente:

Letra:

Nem eu mesmo entendo o que eu digo
Sou como um cego guiando outro cego
Já sofri todo tipo de castigo
Mas parece que nem assim eu sossego

Deixo o meu choro pra alguma hora
Em que alguém me reconheça
Já não é fácil me concentrar agora
Com tanta coisa na minha cabeça

Não sei o que eu fiz de errado
Que não sirvo pra ser nem infiel, nem crente
Não sei dizer nem o que é pecado

Será que o segredo é simplesmente
Passar pela vida como um exilado
E só estar aqui de corpo presente?

Henrí Galvão

18 de setembro de 2019

Se é verdade que boa parte do potencial humano ainda está pra ser explorado, daí até que uma pessoa se sinta no direito de explorá-lo pode ter uma distância enorme.

E talvez pra muitos essa distância nem pareça que vale a pena de ser percorrida. (Até porque, pra essas coisas, o tempo nunca parece que joga a nosso favor.)

Letra:

Se já é tarde
Só posso ser quem eu sempre fui
Não vou renegar a vida
Que eu levei

Não se culpe
Você fez o que tinha que fazer
Eu é que nunca dei ouvidos
A qualquer tipo de sermão

Ser forte era tudo
O que eu queria ser
Quem estava lá
Quando eu mais precisei?
Compaixão, caridade
Tudo isso é uma miragem

Nunca me importei
De aprender a rezar
E não vai ser agora
Que eu vou começar
Por que não guarda
As suas preces
Pra quem de fato
Te merece?

Henrí Galvão

16 de agosto de 2019

Não me considero cristão, embora tenha sido batizado e tenha feito a primeira comunhão e tudo mais.

Por outro lado, ultimamente venho me familiarizando um pouco melhor com as diferenças entre o Antigo e o Novo Testamento.

Não estou aqui pra tirar grandes conclusões, até porque a minha perspectiva seria até previsível pra quem realmente conhece a Bíblia.

Ainda assim, as diferenças entre o antes e o depois são consideráveis, não é?

Letra:

Veja o quão maravilhoso é o espetáculo da criação
Todo fruto lhe é permitido, exceto aquele – aquele não!
Prová-lo é ser deixado ao azar da intempérie que se seguirá
Quando as trevas trouxerem o caos e a desolação

Quem me desobedecer não será digno do meu perdão
Este será o primeiro a sofrer na minha mão
Eu sou o olho que tudo vê, não haverá onde se esconder
Quando as trevas trouxerem o caos e a desolação

Os rios serão cobertos de sangue
A noite cairá num só instante
E o terror estampará as faces
Do corajoso e do covarde

Não importa o quão justo você se julgue perante mim
Ou o quanto você anseie por antecipar o próprio fim
O seu destino eu já tracei, e a minha palavra é a lei
O que lhe é resta é esperar pelo dia da revelação
Não haverá tormento igual ao dos que seguem os caminhos do mal
Quando as trevas trouxerem o caos e a desolação

Henrí Galvão

15 de julho de 2019

Foi ainda no final de abril que publiquei meu último texto para a série Enneagram & Music no Medium.

Assim sendo, achei que seria interessante ter uma discussão um pouco mais avançada sobre as implicações de se estudar os diferentes subtipos do Eneagrama.

Particularmente se você estiver entre os que são considerados contratipos nesse sistema.

Caso seja o seu caso (ou caso tenha interesse em saber melhor do que isso se trata), é minha esperança que o texto abaixo seja particularmente útil pra você:

View at Medium.com

Henrí Galvão

10 de julho de 2019

Se você clicou no link pro Bandcamp da música que compartilhei ontem, provavelmente já imagina o que vou falar aqui.

A partir de agora, todas as músicas que fazem ou fizeram parte da playlist impermanente têm os seus acordes no Bandcamp.

É só acessar cada faixa individualmente, que logo abaixo da letra você vai poder ver a cifra também. 🙂

Henrí Galvão

9 de julho de 2019

Sou um grande fã das possibilidades de se fazer muito com pouco.

Mas, como se sabe, toda virtude levada ao extremo acaba virando um pecado.

Além do mais, um pecado também pode virar uma virtude, não é?

Letra:

Até o seu suor te serve de manjar
Você sabe como aproveitar
Quase todo o espaço no bidê
E diz que é só questão de querer

Mas um único descuido pode ser fatal
Quando o seu cálice não é nenhum Santo Graal
E isso explica por que não veio ninguém
Pra se embebedar também

O quanto mais você vai aguentar?
Até quando vai ficar na conta do chá?
Será que não tem nada
Diferente de água ou café
Pra te manter de pé
E te deixar de prontidão
Pra um ataque que pode vir
De qualquer direção?

A cartilha manda não se misturar
É melhor prevenir que remediar
E não tem outra maneira de ter fé
Senão atrás de um ismo qualquer

Eu sei que os mandamentos são só dez
Mas, pelas barbas de Abraão e Moisés,
Nunca te deu vontade
De ir um pouco além do umbral
Que separa o bem do mal?
Pra curiosidade tem perdão
Pra covardia é que não

É bom não perder tempo
Enquanto ainda é capaz
De ser um pouco menos
E fazer um pouco mais