Arquivo da categoria: novidades

Henrí Galvão

18 de setembro de 2019

Se é verdade que boa parte do potencial humano ainda está pra ser explorado, daí até que uma pessoa se sinta no direito de explorá-lo pode ter uma distância enorme.

E talvez pra muitos essa distância nem pareça que vale a pena de ser percorrida. (Até porque, pra essas coisas, o tempo nunca parece que joga a nosso favor.)

Letra:

Se já é tarde
Só posso ser quem eu sempre fui
Não vou renegar a vida
Que eu levei

Não se culpe
Você fez o que tinha que fazer
Eu é que nunca dei ouvidos
A qualquer tipo de sermão

Ser forte era tudo
O que eu queria ser
Quem estava lá
Quando eu mais precisei?
Compaixão, caridade
Tudo isso é uma miragem

Nunca me importei
De aprender a rezar
E não vai ser agora
Que eu vou começar
Por que não guarda
As suas preces
Pra quem de fato
Te merece?
Anúncios

Henrí Galvão

16 de agosto de 2019

Não me considero cristão, embora tenha sido batizado e tenha feito a primeira comunhão e tudo mais.

Por outro lado, ultimamente venho me familiarizando um pouco melhor com as diferenças entre o Antigo e o Novo Testamento.

Não estou aqui pra tirar grandes conclusões, até porque a minha perspectiva seria até previsível pra quem realmente conhece a Bíblia.

Ainda assim, as diferenças entre o antes e o depois são consideráveis, não é?

Letra:

Veja o quão maravilhoso é o espetáculo da criação
Todo fruto lhe é permitido, exceto aquele – aquele não!
Prová-lo é ser deixado ao azar da intempérie que se seguirá
Quando as trevas trouxerem o caos e a desolação

Quem me desobedecer não será digno do meu perdão
Este será o primeiro a sofrer na minha mão
Eu sou o olho que tudo vê, não haverá onde se esconder
Quando as trevas trouxerem o caos e a desolação

Os rios serão cobertos de sangue
A noite cairá num só instante
E o terror estampará as faces
Do corajoso e do covarde

Não importa o quão justo você se julgue perante mim
Ou o quanto você anseie por antecipar o próprio fim
O seu destino eu já tracei, e a minha palavra é a lei
O que lhe é resta é esperar pelo dia da revelação
Não haverá tormento igual ao dos que seguem os caminhos do mal
Quando as trevas trouxerem o caos e a desolação

Henrí Galvão

15 de julho de 2019

Foi ainda no final de abril que publiquei meu último texto para a série Enneagram & Music no Medium.

Assim sendo, achei que seria interessante ter uma discussão um pouco mais avançada sobre as implicações de se estudar os diferentes subtipos do Eneagrama.

Particularmente se você estiver entre os que são considerados contratipos nesse sistema.

Caso seja o seu caso (ou caso tenha interesse em saber melhor do que isso se trata), é minha esperança que o texto abaixo seja particularmente útil pra você:

View at Medium.com

Henrí Galvão

10 de julho de 2019

Se você clicou no link pro Bandcamp da música que compartilhei ontem, provavelmente já imagina o que vou falar aqui.

A partir de agora, todas as músicas que fazem ou fizeram parte da playlist impermanente têm os seus acordes no Bandcamp.

É só acessar cada faixa individualmente, que logo abaixo da letra você vai poder ver a cifra também. 🙂

Henrí Galvão

9 de julho de 2019

Sou um grande fã das possibilidades de se fazer muito com pouco.

Mas, como se sabe, toda virtude levada ao extremo acaba virando um pecado.

Além do mais, um pecado também pode virar uma virtude, não é?

Letra:

Até o seu suor te serve de manjar
Você sabe como aproveitar
Quase todo o espaço no bidê
E diz que é só questão de querer

Mas um único descuido pode ser fatal
Quando o seu cálice não é nenhum Santo Graal
E isso explica por que não veio ninguém
Pra se embebedar também

O quanto mais você vai aguentar?
Até quando vai ficar na conta do chá?
Será que não tem nada
Diferente de água ou café
Pra te manter de pé
E te deixar de prontidão
Pra um ataque que pode vir
De qualquer direção?

A cartilha manda não se misturar
É melhor prevenir que remediar
E não tem outra maneira de ter fé
Senão atrás de um ismo qualquer

Eu sei que os mandamentos são só dez
Mas, pelas barbas de Abraão e Moisés,
Nunca te deu vontade
De ir um pouco além do umbral
Que separa o bem do mal?
Pra curiosidade tem perdão
Pra covardia é que não

É bom não perder tempo
Enquanto ainda é capaz
De ser um pouco menos
E fazer um pouco mais

Henrí Galvão

20 de junho de 2019

Uma consequência de se estar frequentemente correndo contra o tempo – como é o meu caso – é sentir uma certa ansiedade que não se sabe nem de onde vem.

Deve ser uma ansiedade parecida com a de ler um livro sem ter ideia de quantas páginas ele tem:

Letra:

Não vou desperdiçar
Esse dom que a vida me deu
De me estropiar o quanto eu quiser
Desde que o azar seja só meu

Quem não está na minha pele
Acha que eu forço a garganta
Mas cantar não é difícil
Ficar calado é que cansa

Me disseram que eu só ia chegar
Até os 45, e olhe lá
Se for, isso é mais um motivo
Pra abrir um belo de um sorriso
A cada volta que o mundo dá

Não quero me gabar
Não foi pra isso que eu vim
Mas, se bobear, ainda vou estar aqui
Muito depois do fim

Confio no meu taco
Mais do que na minha fé
Quem sabe quando a montanha
Vai se mover por Maomé?

Mas não entendo como aconteceu
De me confundirem com um filisteu
Só porque eu tenho o olho grande
E o nariz mais redondo
Que uma bola de bilhar?
Quem sou pra me portar
Como um herege exemplar?
Não falo em nome de ninguém
Deus nenhum vai poder negar
Minha versão

Henrí Galvão

5 de junho de 2019

A gente se acostuma tanto a falar de amor pra expressar coisas tão diferentes, que na maior parte do tempo é difícil saber do que se está falando de fato.

Não acho que o meu trabalho seja o de dar nome aos bois. Mas acho que isso às vezes é quase inevitável:

Letra:

Quem te vendeu essa
De que o Taj Mahal
É o exemplo perfeito
O suprassumo, o ideal
Da mais pura devoção?

Me mostra um só rei
Ou faraó, ou sultão
Que soube aliviar
A dor do seu coração
Sem precisar contar
Com qualquer outro pranto
Além do seu

Não recrimino nenhum ato de amor
Mas vamos encarar os fatos, por favor
O sofrimento ocupa espaços
Que a boniteza nunca alcançou

Posso crer em tudo que só os meus olhos veem
Mas não posso forçar nem você, nem mais ninguém
A sonhar o mesmo sonho que eu
Que dirá lutar por ele também

Dizem que querer
Já é metade de poder
Mas quem vive repetindo
Esse tipo de clichê
Sempre tem tudo na mão

Daí onde está
Você só vai enxergar
Uma parte ínfima
Do meu chutzpah
E não dá pra achar
Essa liturgia
Em nenhum manual

Faço o que faço, em parte, pra te convencer
Que o que eu faço é menos que o que eu deixo de fazer
Não piorar as coisas é o mais perto de um conselho
Que eu tenho pra te dar

De que adianta carregar essa cruz
Se você não aguenta ver nem o seu próprio pus?
Você fala bonito, mas é só a pose do mártir
Que te seduz

Entre o seu sol e o meu
Vai uma distância de mil anos-luz