Nu

Um dos motivos de eu frequentemente mencionar alguma referência por trás dessas canções é pra não perder de vista o fato de que elas nunca falam apenas de mim (por mais pessoais que sejam).

Talvez por isso eu me sinta um tanto desconfortável com a música de hoje, já que não vejo como apresentá-la por trás de alguma ideia mais palatável.

Ainda assim, confio que tudo que vale pras outras canções vale pra esta também:

Letra:

Se eu fosse mesmo
Só mais um farsante
Você iria perceber
Ou você acha
Que eu seria capaz
De enganar logo você?

Se eu continuo aqui
Não mereço alguma consideração?
Me diz se estou
No lugar errado então

E se eu disser
Que já passei da fase
De resistir à tentação?
Com um pouco de paciência
Pro bem ou pro mal
Fica até fácil dizer não

Se ainda estou de pé
Será que foi pura sorte então?
Será que sou
A regra ou a exceção?
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Profetas, gurus e declarações de intenção

Quando compus “Óleo de Cobra” eu ainda não tinha lido Iludido pelo Acaso, de Nassim Taleb, mas já estava familiarizado com algumas ideias ali.

Agora que finalmente li o livro, me senti de novo instigado (como sempre acontece depois de ler Nassim Taleb) a falar da aleatoriedade.

Assim, posso dizer que aquela canção foi o meu “antes”, enquanto a de hoje, “Refugo”, é o meu “depois”:

 

Letra:

Que falta faz um professor ou um guru
Se eu desenho o meu próprio mapa
E pinto a terra firme de azul?

Não tenho nenhuma ideia pra vender
Nem tenho mais paciência
Pra esse monte de oferta
Em cada esquina aparece um profeta

Mas qualquer vento um pouco mais forte
Já é capaz de levar o capote

E até que o mesmo raio
Resolva cair mil vezes
No mesmíssimo lugar
Eu vou estar muito ocupado
Matando a minha sede
Pra ver onde isso vai parar

A Rapunzel vive jogando as suas tranças
Não me admira nem um pouco
Ver homem feito agindo que nem criança

Mas se o coração não sente o que não vê
Ninguém tem compromisso
Ninguém tem hora marcada
Ninguém é obrigado a nada

Pra que ficar bolando um milhão de histórias?
Quem não tá na chuva não se molha

E antes que você me acuse
De ter a cabeça nas nuvens
Ou em algum lugar pior
Pensa um pouco aqui comigo
Quanto vale o sacrifício
De montar o seu dominó?

Why so serious?

Não é nenhuma novidade dizer que uma coisa é concordar racionalmente com uma ideia, e outra, viver de forma congruente com ela.

Um dos (muitos) casos em que isso se manifesta na minha vida é em relação a reconhecer a diferença entre ser “sério” e ser “denso”.

Sabe aquela frase que diz “a vida é muito importante pra ser levada a sério”?

É mais ou menos por aí.

Letra:

Me assustaria ter um mapa infalível
Que se metesse a me avisar
O quanto posso rodar
Antes que acabe o combustível

Faz tanta falta escutar
A voz da ignorância
E parar de fingir
Saber mais do que sinto
Me vê um gole de absinto
Que a noite é uma criança

O que eu não daria
Pra me permitir sair do sério
Tanto faz a impressão que fica
Tanto faz se rir ainda é um sacrilégio

Tenho muito que aprontar
Se quero um dia abrir mão
De todo o entulho que guardei
Por confiar demais
No conta-gotas da razão

Sistema 2 e Sistema 1 de novo

Desde que subi “Ascendente” pra playlist impermanente (em outubro do ano passado), mudei algumas coisas que me incomodavam na letra.

Além disso, aproveitei pra gravá-la novamente, com uma qualidade superior à primeira versão:

Letra:

Se tento medir as minhas palavras
É porque ainda acho que não digo nada
Que valha o silêncio de quem me ouve

Mas sinto um impulso quase irresistível
De continuar flertando com o perigo
Como um animal sem medo do açoite

Então vem e me diz o que há pra saber
Tenta me alertar e me convencer
O quanto vale a pena se perguntar por quê

Eu sei que você só quer o meu bem
E, se ainda der, quero te agradecer também
Por não me deixar saltar desse trem

Se quiser provar da minha insanidade
Me deixa sozinho de verdade
Tem coisa mais fácil que criar alarde?

É uma perdição ter na ponta da língua
A solução pra qualquer intriga
A chave mágica pra qualquer saída

Mas se eu fosse ao menos escutar os sinais
Aprenderia a olhar pra trás
Sem desperdiçar nem um dia a mais

Reflexo

James C. Hunter (mais conhecido pelo seu livro O Monge e o Executivo) traz a seguinte definição da palavra amor:

o ato de se pôr à disposição dos outros, identificando e atendendo suas reais necessidades, sempre procurando o bem maior

Se alguém tiver alguma dica sobre como chegar lá sem ser enxerido demais, estou aberto a sugestões.

Letra:

Se é arrogância querer me intrometer
Esse é um pecado que eu cometo com muito prazer
Qualquer coisa é melhor do que te ver
Com o olhar perdido na janela de vidro fumê
E aquela blusa em gola V já nem cabe mais em você
É esse o inconfessável exagero de viver?

E se eu te convencesse a me mostrar
Um pouco do que você esconde no seu altar?
Você me deixaria estar lá
Com os braços levantados pra te acompanhar?

Sei que a distância já é grande demais
E não tem nada de mais em só querer estar em paz
Mas tudo que vem, também vai
Um sonho é só um barco que nunca abandona o cais

Chegando lá

“Sublime e Vulgar” foi uma música que subi pela primeira vez há menos de dois meses.

Então, talvez seja um pouco estranho que eu já esteja subindo uma versão nova. O que mudou de lá pra cá?

Em poucas palavras: minha voz. Decidi que valeria a pena arriscar cantar de um jeito menos confortável pra mim.

Se isso deu “certo” ou não, deixo a critério de quem ouvir:

Letra:

Lamento te decepcionar, meu bem
Mas não tem nada aqui de tão especial
Não vou nunca deixar de estar aquém
Do seu inventário sentimental

Não quero mais insistir na ilusão
De que a gente ainda tem tempo
Esse tal de tempo é uma invenção
Que eu nem finjo que entendo

Me contentaria em me sentir capaz
De chegar ao ponto de te segredar
Que o sublime nunca é sublime demais
E só é livre quem é vulgar

Por que a gente não para de colocar
A carroça na frente dos bois?
Tem tanta poeira pra levantar
Deixa o resto pra depois

Para o alto e avante

Uma das primeiras histórias de super-heróis que me lembro de ter lido foi com o Lanterna Verde Hal Jordan.

É uma história que se chama “Pé no Chão”, onde o Hal busca um novo rumo pra sua vida sem precisar usar o seu todo-poderoso anel.

Embora eu fosse bem novo na época em que li essa HQ (devia ter uns 8 anos), sempre tive na memória algo que ele fala logo no início: sobre chegar a “Lugar nenhum… E todos os lugares”.

Letra:

Eu bem que gostaria de fingir
Que não sinto nada demais
Seria extraordinário ter o dom
De ignorar esses sinais

Pra que fui me iludir
Tentando viver como um falso faquir
Que ao menor sinal de dor
Já corre pro seu cobertor?

Isso que deu, isso que dá
Querer correr antes de engatinhar
Só faz queimar os pés

O tempo serve a qualquer um
Aqui ou em qualquer lugar
Posso sofrer mais que Majnun
Que isso também não vai durar

Não me acostumo a ver o céu trocar de cor
Sem um pingo de decência ou pudor
E ainda levar de roldão
Toda a engrenagem da razão

Pra onde você quiser que eu vá, eu vou
Minha única bússola se quebrou
Nem sei como vou me virar