Reflexo

James C. Hunter (mais conhecido pelo seu livro O Monge e o Executivo) traz a seguinte definição da palavra amor:

o ato de se pôr à disposição dos outros, identificando e atendendo suas reais necessidades, sempre procurando o bem maior

Se alguém tiver alguma dica sobre chegar lá sem ser enxerido demais, estou aberto a sugestões.

Letra:

Se é arrogância querer me intrometer
Esse é um pecado que eu cometo com muito prazer
Qualquer coisa é melhor do que te ver
Com o olhar perdido na janela de vidro fumê
E aquela blusa em gola V já nem cabe mais em você
É esse o inconfessável exagero de viver?

E se eu te convencesse a me mostrar
Um pouco do que você esconde no seu altar?
Você me deixaria estar lá
Com os braços levantados pra te acompanhar?

Sei que a distância já é grande demais
E não tem nada de mais em só querer estar em paz
Mas tudo que vem, também vai
Um sonho é só um barco que nunca abandona o cais
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Chegando lá

“Sublime e Vulgar” foi uma música que subi pela primeira vez há menos de dois meses.

Então, talvez seja um pouco estranho que eu já esteja subindo uma versão nova. O que mudou de lá pra cá?

Em poucas palavras: minha voz. Decidi que valeria a pena arriscar cantar de um jeito menos confortável pra mim.

Se isso deu “certo” ou não, deixo a critério de quem ouvir:

Letra:

Lamento te decepcionar, meu bem
Mas não tem nada aqui de tão especial
Não vou nunca deixar de estar aquém
Do seu inventário sentimental

Não quero mais insistir na ilusão
De que a gente ainda tem tempo
Esse tal de tempo é uma invenção
Que eu nem finjo que entendo

Me contentaria em me sentir capaz
De chegar ao ponto de te segredar
Que o sublime nunca é sublime demais
E só é livre quem é vulgar

Por que a gente não para de colocar
A carroça na frente dos bois?
Tem tanta poeira pra levantar
Deixa o resto pra depois

Para o alto e avante

Uma das primeiras histórias de super-heróis que me lembro de ter lido foi com o Lanterna Verde Hal Jordan.

É uma história que se chama “Pé no Chão”, onde o Hal busca um novo rumo pra sua vida sem precisar usar o seu todo-poderoso anel.

Embora eu fosse bem novo na época em que li essa HQ (devia ter uns 8 anos), sempre tive na memória algo que ele fala logo no início: sobre chegar a “Lugar nenhum… E todos os lugares”.

Letra:

Eu bem que gostaria de fingir
Que não sinto nada demais
Seria extraordinário ter o dom
De ignorar esses sinais

Pra que fui me iludir
Tentando viver como um falso faquir
Que ao menor sinal de dor
Já corre pro seu cobertor?

Isso que deu, isso que dá
Querer correr antes de engatinhar
Só faz queimar os pés

O tempo serve a qualquer um
Aqui ou em qualquer lugar
Posso sofrer mais que Majnun
Que isso também não vai durar

Não me acostumo a ver o céu trocar de cor
Sem um pingo de decência ou pudor
E ainda levar de roldão
Toda a engrenagem da razão

Pra onde você quiser que eu vá, eu vou
Minha única bússola se quebrou
Nem sei como vou me virar

2.0

Pra começar o ano, decidi regravar uma música que subi pela primeira vez em setembro do ano passado: “Labirinto de Espelhos” (inspirada em A Lógica do Cisne Negro, de Nassim Taleb):

Letra:

Um verso desbanca todas as intrigas
Qualquer que seja o ponto de partida
Ou a promessa que não foi cumprida
Por um impulso que não se soube largar

Todo sonho que atravessa essa fronteira
Já justifica uma vida inteira
De botar mais lenha na fogueira
Sem saber qual o limite da imaginação
Ou o que é certo e o que é só especulação

A gente cresce e desmerece
Todas as coisas que fazem perseverar
Mas de que adianta ficar
O tempo todo de olho no placar?

Às vezes acho que todo cisne é negro
E quanto mais me arrisco, mais eu vejo
Que o mundo é um labirinto de espelhos
Mostrando o infinito fora do lugar

Talvez nunca chegue o dia
Em que dê pra aceitar
Que sempre paga o maior preço
Quem tenta ver logo no começo o fim

Lavando a louça

Uma coisa que se enfatiza muito no budismo é o valor das coisas mais prosaicas da vida.

Ou, como diz a monja Yvonette Silva Gonçalves logo no início do seu famoso texto “Desfazendo equívocos”:

Se você quer milagres, não procure o Budismo. O supremo milagre para o Budismo é você lavar seu prato depois de comer.

[ATUALIZAÇÃO: essa música foi relançada em fevereiro de 2018]

Letra:

Lamento te decepcionar, meu bem
Mas não tem nada aqui de tão especial
Não vou nunca deixar de estar aquém
Do seu inventário sentimental

Não quero mais insistir na ilusão
De que a gente ainda tem tempo
Esse tal de tempo é uma invenção
Que eu nem finjo que entendo

Me contentaria em me sentir capaz
De chegar ao ponto de te segredar
Que o sublime nunca é sublime demais
E só é livre quem é vulgar

Por que a gente não para de colocar
A carroça na frente dos bois?
Tem tanta poeira pra levantar
Deixa o resto pra depois

“Tem no mercado, é só pedir…”

Há alguns meses compartilhei aqui duas músicas – “Labirinto de Espelhos” e “Antifrágil” –, cada uma inspirada por um livro de Nassim Taleb.

Tem um terceiro livro dele bem conhecido, que é o Iludido pelo Acaso.

Confesso que esse eu (ainda) não li, mas sei que ele levanta uma questão bem interessante, que é a seguinte:

Até onde dá pra dizer que alguém que consegue “prever” o futuro faz isso por mérito próprio ou pelo simples fato de que, com tanta gente nessa brincadeira, alguém em algum momento vai acabar acertando?

Letra:

De cara, só posso dizer que não entendo
Como você ainda tenta ganhar no grito
O direito de apontar um caminho
Se vive sempre procurando um atalho
E não se faz de rogado
Em desprezar qualquer esforço de guerra
Não vem me dizer que agora vai ser diferente
Não tem bússola nem amuleto
Que supere o simples acaso
E quando a fruta parece madura
É porque só restou o bagaço

Peso pesado

Qualquer pessoa que busca estar alinhada com seu propósito é tentada a seguir um caminho que promete ser mais fácil.

Mas, como diria um dos meus heróis, Leonard Cohen, talvez valha mais a pena trabalhar duro.

Letra:

Se um dia fizerem questão do meu veredito
Fica tranquilo que na hora eu dou um jeito
Até lá, só o que sei
É que não vou perder meu tempo
Exorcizando cada incerteza
Como se fosse um cão sardento

Do mesmo jeito que eu vim, eu vou
Não tenho nem nunca tive plano de voo
Por mais que corra o risco
De não ser levado a sério
Por quem ainda se acha muito esperto
Pra admitir que a vida é todo esse mistério

E mesmo quem decide o que é importante
Nunca é capaz de dizer quando um diamante
Vai emergir do magma de um vulcão

Por isso, só ofereço suor e trabalho
Quem quiser que procure um atalho
Não vou tentar cortar caminho
Depois de tanto jogo de cena
Me considero um cara de muita sorte
Por sofrer por algo que vale a pena