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Henrí Galvão

18 de outubro de 2018

Uma questão sensível pra diferentes professores é o quão longe pode-se ir em determinado ensinamento.

Isso tende a ser frustrante pra um aluno que espera por grandes revelações logo de cara – sejam elas quais forem -, mas é também uma questão de precaução.

É difícil saber qual seria a reação de alguém ao se dar conta, antes da hora, da existência de um tom até então quase que inconcebível.

Letra:

Pode reclamar, pode me ofender o quanto quiser
Não adianta, que eu não vou te mostrar
O que te espera bem aqui do outro lado da fé
São ordens lá de cima, sabe como é

Se o preto e branco do papel
Quase nunca te satisfaz
Nem tente ler o livro dos céus
Melhor continuar com um pé atrás
É muito cedo pra querer
Se deslumbrar com o lilás
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Henrí Galvão

8 de outubro de 2018

É verdade que, hoje em dia, é cada vez maior o risco de se tornar um “escravo do relógio”.

Mas também não é menos verdade que, sem ele, nem sempre é fácil dar a devida importância ao tempo.

A não ser, é claro, pra quem já está além dessas formalidades.

Mas ainda estou pra encontrar esse alguém.

Letra:

Não sou mais que ninguém
Disso eu sei muito bem
Aqui no meu ashram
É sempre de noite
E é sempre de manhã
Não canso de abusar
Do meu direito de nunca chegar
A qualquer conclusão
Não digo nunca, jamais

Henrí Galvão

1 de outubro de 2018

Uma das consequências de estar sempre mexendo na playlist impermanente é que as músicas que saíam acabavam ficando “soltas” no SoundCloud.

Pra resolver essa questão, ao invés de criar uma outra playlist por lá, decidi trazê-las para o Bandcamp.

Assim, elas agora fazem parte do que chamo de arquivo impermanente:

Por tabela, nada mais justo que a própria playlist impermanente esteja no Bandcamp também:

Com isso, todas as minhas músicas podem ser baixadas nos formatos mp3, wav, flac ou o que você preferir.

Henrí Galvão

18 de setembro de 2018

Às vezes duas pessoas podem ter valores tão diferentes que qualquer opinião contrária pode parecer mais que uma objeção.

Acaba parecendo uma provocação – quando não uma conspiração:

Letra:

Vamos supor que essa história toda
Não seja mais que uma grande mentira
De quem conspira pra nos anestesiar

Pois eu daria o braço a torcer
E nada me daria mais prazer
A minha fome é outra
Não dá pra ver?

Vamos supor também que o preço de estar certo
Seja andar quase sempre sozinho
Você ainda ia querer se aventurar?

Eu quase que não tenho condição
De carregar um peso um pouco maior
Mas quem em são consciência
Pode sentir dó de mim?

Henrí Galvão

5 de setembro de 2018

No livro O Eu e o Inconsciente Jung fala de uma técnica pra que uma pessoa possa conversar com o “outro lado”.

É um tipo de conversa consigo mesmo em que se pode reconhecer tudo o que o inconsciente queira expressar naquele momento.

Como é o tipo de experiência que pode ser bastante assustadora, Jung não a recomenda a não ser em casos de real necessidade.

Mas ele também não deixa de reconhecer que há aqueles que podem se interessar por isso por uma “santa curiosidade”.

A essa “santa curiosidade” ele dá o nome de “nostalgia do sol”:

Letra:

O calor é insano
Mas é o preço a se pagar
Pra assistir de perto
Ao último baile solar
Se a luneta é pra ver
A lupa é pra queimar
E o rastro que ela deixa
É bem fácil de notar
De um jeito ou de outro
Eu continuo aqui
Não vou arredar pé
Enquanto me faltar aprender
A me espelhar sem ninguém

Sei que tem um sentido
Pro caminho que o sol
Insiste em deixar
Cada vez mais pior
Já posso até sentir
O ponto de condensação
Mesmo que disfarçado
De chuva de verão
E ainda conto com
A boa vontade do céu
Pra me desgarrar de vez
Só mesmo assim pra silenciar
Qualquer objeção

Henrí Galvão

13 de agosto de 2018

Compor sempre foi, pra mim, uma conversa comigo mesmo.

E, como em toda conversa, muitas vezes a gente só sabe exatamente o que vai falar no exato momento em que se expressa de fato.

Daí porque acontece que, muitas vezes, a gente fala coisas que não esperava.

É o caso da canção de hoje, por exemplo.

Que, enquanto escrevia, percebi que falava (pelo menos em parte) de um filme que vi há muito tempo, chamado Efeito Borboleta.

Pra quem não assistiu, não vou dizer o porquê (entendedores entenderão):

Letra:

Foi tão somente um apagão
Desses que vêm e vão
Nada que justifique
Tanta preocupação
Você quer mesmo saber
Pra onde eu fui dessa vez?
Pra ser sincero, nem eu sei
É quase sempre a mesma coisa
E é como se eu não tivesse escolha
A não ser apertar os cintos
E esperar a turbulência passar
Falando assim é fácil
Mas leva um tempo pra se acostumar

Henrí Galvão

3 de agosto de 2018

Desde muito novo que me parecia que o caminho mais curto para uma experiência mística era o céu noturno.

Desde que não se entenda “mais curto” por “mais fácil”, é claro.

Letra:

Me custa muito crer
Que é só pedir
Pra que as estrelas
Façam um belo de um colibri
Não é tão fácil ignorar
O brilho de uma ursa polar
E se fiar na imaginação
Pra enxergar qualquer dimensão
Que escape dos eixos cardeais
Sem tropeçar nas linhas
Ou nos montes das próprias mãos
Pode até ser pessimismo meu
Mas talvez um entre cem
Vai saber chegar
Ao infinito e além

Pode muito bem ser
Que qualquer um
Saiba o bastante
Pra se ver a olho nu
Mas e depois, o que é que vem?
Não dá pra contar com ninguém
Nem com uns poucos riscos no céu
Feitos com um velho cinzel
Que já não corta nem capim
Não sei o que essa transcendência
Pode ser capaz de tirar de mim
Mas se é tudo mesmo uma iniciação
Só posso aceitar
Que é assim que o mundo
Faz questão de girar