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Sobre Henrí Galvão

um "não músico" fazedor de canções numa jornada de autorrealização

Henrí Galvão

20 de fevereiro de 2019

Escrever é uma ótima forma de uma pessoa reconsiderar o contrato que faz com a vida (na maioria das vezes, sem nem perceber).

Às vezes isso te estimula a levar as coisas mais a sério.

Outras, acontece justamente o contrário:

Letra:

É quase bom demais pra acreditar
Tão bom que chega a assustar
Nenhum sinal daquela sensação
De estar sempre pagando um pedágio a mais
Só pra começar a me divertir

Quem só foi me conhecer
De uns dias pra cá
Não se conforma
Com o que perdeu

Mas não se engane, meu amigo
Tudo o que fiz
Foi afinar o meu diapasão
Espera só até me ouvir
Desacatar o ruído do trovão
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Henrí Galvão

19 de fevereiro de 2019

Provavelmente nenhuma outra banda teve uma influência tão grande na minha escolha pela música quanto o U2.

E uma parte considerável disso vem, obviamente, do Bono, e tudo (ou quase tudo) que ele expressa e defende.

O que certamente faz dele uma figura fascinante também sob a perspectiva do Eneagrama de personalidade:

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Henrí Galvão

12 de fevereiro de 2019

Qualquer que seja a sua opinião sobre Gene Simmons – o baixista e um dos líderes do Kiss –, não há como negar que ele é um personagem e tanto.

Por isso – e também porque o admiro, apesar de tudo –, achei que seria no mínimo interessante falar sobre ele pra minha série de textos sore o Eneagrama:

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Aliás, talvez ao ler o texto de hoje você possa entender um pouco mais das motivações de um certo presidente língua solta. 😉

Henrí Galvão

7 de fevereiro de 2019

Uma das músicas de (des)amor mais famosas de todos os tempos é “Ne me quitte pas”, de Jacques Brel.

Chega a ser difícil imaginar como alguém poderia se rebaixar tanto quanto o eu lírico daquela canção.

Mas, como se sabe, com essas coisas não se brinca.

Letra:

Será que eu posso ser o seu chofer?
Garanto que nunca te deixaria a pé
Se não, quem sabe eu posso colher
Algumas orquídeas pro seu buquê
Também sei cozinhar
Varrer, passar, aspirar o pó
Pro que precisar, estou aí
Sou um bom perdedor
Isso você há de convir

Onde fica o significado?

No texto anterior dessa série sobre o livro Como Funciona a Música, falei sobre as relações entre apreciação estética e questões de classe, na medida em que a capacidade de apreciar uma arte mais “refinada” costuma depender de condições materiais que propiciem – e estimulem – um certo tipo de socialização.

Pra reforçar esse argumento, transcrevi um trecho do livro de David Byrne em que ele citava o crítico literário britânico John Carey, que questiona seriamente algumas associações que são comumente feitas entre determinadas manifestações artísticas e suas qualidades supostamente intrínsecas.

Hoje, quero me concentrar num trecho muito específico daquela citação que transcrevi, que é o seguinte: “os significados não são inerentes aos objetos, mas sim são criados por aqueles que os interpretam”.

Um questionamento como esse nos leva a ser um pouco mais cuidadosos antes de querer igualar a ética à estética. Afinal, a partir do momento em que se leva a sério esse caráter (inter)subjetivo da apreciação estética, já dá pra ir um pouco além da dicotomia entre o que “faz bem” e o que “faz mal”.

E pra aqueles que, assim como eu, buscam defender esse tipo de visão artística e de mundo, pode ser de grande valor estar atento às evidências científicas a respeito no campo da psicologia. (Tomando o cuidado, é claro, de não cair no famoso viés de confirmação.)

Não foi por outra razão que abordei aqui, há alguns anos, a ideia de “masoquismo benigno“, de Paul Rozin. Essa ideia veio de um estudo em que Rozin avaliou como até certo ponto a dor pode ser prazerosa, dependendo da forma com que uma pessoa se predispõe a se expor a certos estímulos.

O que, por sua vez, tem muito a ver com a perspectiva de Kelly McGonigal, autora do livro O Lado Bom do Estresse. Numa palestra TED sobre o tema, ela explica que “Quando mudamos nossa opinião sobre o estresse, podemos mudar nossa resposta corporal ao estresse.”

De que forma? Bom, foi feito um estudo em que os participantes foram colocados em uma situação considerada altamente estressante: falar em público, de improviso, sobre suas fraquezas pessoais pra uma plateia de jurados devidamente treinada pra parecer muito pouco amigável. (E essa foi só a primeira parte.)

Antes do teste, no entanto, os participantes foram instruídos a considerar suas respectivas respostas ao estresse como úteis. Coisas como, “Se você está respirando mais rápido, não tem problema. Está levando mais oxigênio ao seu cérebro”.

E não é que, aparentemente, isso fez uma boa diferença? Os que conseguiram ressignificar o estresse puderam constatar que, mesmo com uma taxa respiratória mais elevada, seus vasos sanguíneos permaneceram relaxados – uma resposta similar à alegria. O que levou Kelly à seguinte conclusão:

[…] espero que, da próxima vez que seu coração estiver batendo forte de estresse, vocês se lembrem dessa palestra e pensem consigo: “Isso é o meu corpo me ajudando a estar à altura desse desafio.” E quando você encara o estresse desse jeito, seu corpo acredita em você, e sua resposta ao estresse se torna mais saudável. (grifo meu)

“Seu corpo acredita em você”. Ou seja, não se trata de controlar ou forçar uma determinada resposta corporal pra não deixar que determinada situação te afete tanto. Trata-se de cultivar as condições psíquicas que fazem com que até mesmo certas respostas corporais que se buscava evitar passem a jogar a seu favor.

Trazendo essas reflexões novamente pra música (e pra arte em geral), temos uma oportunidade e tanto pra que um ouvinte reconheça ainda mais o seu papel ativo – e criativo – em toda a sua experiência enquanto consumidor.

O que vai desde o momento em que você escolhe ouvir determinada música (ou determinado tipo de música) até o momento em que você se permite reconhecer diferentes dimensões de si mesmo ao se dar conta de como aquela experiência te afeta a nível físico.

Talvez isso soe um tanto sofisticado demais, mas o fato é que (como espero que tenha ficado claro na fala de Kelly) todos nós já fazemos essas coisas o tempo todo. A questão é passar a fazê-lo de forma mais consciente e, na medida do possível, deliberada.

É essa tomada de consciência que nos mostra que, independentemente do que se diga, não há uma única resposta certa quanto ao que se possa vir a sentir.

Ainda bem. Não fosse assim, não haveria nenhum tipo de responsabilidade nesse processo. Porque é justamente na nossa responsabilidade que reside a nossa possibilidade de escolha. E essas escolhas se renovam – e se expandem – a todo momento.

Henrí Galvão

5 de fevereiro de 2019

Como expliquei na semana passada, a série de textos Enneagram & Music busca traçar algumas conexões entre esse sistema e a trajetória de diferentes músicos.

E foram poucos os músicos que me tocaram tão profundamente quanto o canadense Leonard Cohen, falecido há pouco mais de dois anos.

Logo, nada mais justo que ele seja o primeiro a ser discutido nessa série:

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[ATUALIZAÇÃO:] Agradecimentos especiais a Jarkko Arjatsalo por ter incluído o texto no fórum do seu maravilhoso site The Leonard Cohen Files.

Henrí Galvão

29 de janeiro de 2019

O primeiro texto de Enneagram & Music (que publiquei na terça passada) serviu como uma introdução a esse fantástico sistema.

Já o texto de hoje é uma introdução à minha própria trajetória com o Eneagrama até aqui (além de algumas observações pertinentes em relação ao que vem por aí nas próximas semanas):

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Como sempre, se você lê em inglês, vou adorar saber a sua opinião sobre o artigo de hoje no Medium.

E já adianto que semana que vem a coisa vai ficar bem mais séria. 😉