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Sobre Henrí Galvão

um fazedor de canções numa jornada de autorrealização https://www.fiverr.com/henrigalvao

Henrí Galvão

14 de novembro de 2019

Teve uma vez uma música que decidi chamar de “Arcos”.

A música em si me agradava; a letra, nem tanto.

Agora que a reescrevi, posso resumir o que sinto numa única palavra: completude.

Pra que falar em anil
Violeta, ardósia e bordô
Se nem Picasso descobriu
O que fazer com tanta cor?

Qual a necessidade
De saber o ponto exato
Em que cada uma deve ficar?
Isso é pura falta de fé
E sem fé não dá nem pra começar

Não sei se você percebeu
Mas os pincéis que você tem
São iguaizinhos aos meus
É a mesma marca, meu bem

Qual a sua desculpa
Pra não ver o que eu vejo?
Olha só pra esse céu ao seu redor
O trabalho é o mesmo
Pra todo e qualquer desejo
Desde o menor até o maior

Com certeza você já duvidou
Dessa tal de realidade
Então, me diz,
Quem você pensa que eu sou:
Um homem ou um avatar?

Você já tem ao seu dispor
Tudo que alguém pode querer
Pra ser um ótimo pintor:
Conhecimento, poder
E amor

Sobre ter o que dizer

No início do ano o americano Cass McCombs lançou seu mais recente álbum de estúdio, Tip of the Sphere (que, por sinal, é quase tão bom quanto o anterior, Mangy Love), e foi tema de uma matéria muito interessante da revista Vanity Fair.

A autora da matéria em questão, Erin Vanderhoof, observou que as músicas de Cass são conhecidas por fazer “coisas agradavelmente inesperadas”. O que, segundo ele, viria da forma com que costuma compor:

A minha abordagem é de trás pra frente”, ele diz a respeito do seu processo de composição, “ao escrever, geralmente, a letra primeiro, e depois tentar fazer a adaptação pra uma música… ao invés do outro jeito, que eu tentei fazer no passado. Você nunca realmente consegue dizer o que quer quando escreve a música primeiro e depois tenta – sei lá – triturar um punhado de palavras naquele espaço. Isso parece pouco natural pra mim.

Embora o meu próprio processo de composição seja o que Cass aparentemente entenderia como sendo o mais lógico – ou seja, primeiro vem a música, depois vem a letra –, concordo totalmente com a sua opinião de que isso é bem pouco natural.

Inclusive me parece até irônico que ele diga isso, porque logo em seguida, na mesma matéria, ele diz que a música é um “artifício”, algo “falso” e “sintético”, e que… “É justamente isso o que eu gosto nela”.

Só aí já dá pra ver como a questão do valor da “naturalidade” na arte rende uma discussão e tanto. Mas como em agosto do ano passado dediquei todo um texto pra falar sobre isso, quero focar em outro ponto aqui.

O trecho que mais me interessa na citação que transcrevi é aquele em que Cass diz que um compositor nunca consegue “realmente” dizer o que quer quando a letra está subordinada à música.

Essa é outra opinião com a qual também estou de acordo, mas o fato é que isso nunca me incomodou muito. Talvez porque, diferentemente dele, não me considero um músico que tenha o que dizer.

Sei que essa última frase pode soar estranha. Pra evitar qualquer mal entendido, acho válido destacar novamente algo que mencionei num texto de setembro do ano passado: a diferença entre “gerar” e “expressar” emoções através da arte.

Essa diferença foi abordada por David Byrne num trecho do seu livro Como Funciona a Música, quando ele defende que “Fazer música é como criar uma máquina que serve para desenterrar as emoções tanto dos intérpretes quanto dos ouvintes.”

Essa citação de Byrne diz muito sobre a minha experiência como compositor porque, sinceramente, ter ou não ter o que dizer faz muito pouca diferença pra mim.

Afinal, de um jeito ou de outro, eu nunca sei o que vou dizer até o momento em que me manifesto de fato. O que digo está sempre subordinado ao que a música quer que eu diga (ou o que ela me permite dizer, o que pra mim dá no mesmo).

E tudo isso me lembra de algo que mencionei há quatro meses, num texto em que comparei as perspectivas de Jung e de Gurdjieff quanto ao processo criativo.

Na ocasião, falei sobre o que Gurdjieff chamava de arte objetiva, a qual contrastei com a visão de Jung, para quem (transcrevendo as minhas próprias palavras) “o processo criativo nunca estaria totalmente sob controle do artista, por mais que ele pudesse pensar o contrário.”

O que fica implícito aí é que, apesar de, no fim das contas, o artista nunca ter controle total sobre a sua criação, existem aqueles que abordam o processo criativo de forma totalmente deliberada (exatamente como Gurdjieff dizia que devia ser) e pensam que estão no controle.

Cito abaixo um trecho de um texto de Jung chamado “Relação da psicologia analítica com a obra de arte poética” (que aparece no livro O Espírito na Arte e na Ciência) em que ele fala disso com mais detalhes:

[…] Existem obras em prosa e verso que nascem totalmente da intenção e determinação do autor, visando a este ou àquele resultado específico. Neste caso, o autor submete seu material a ser trabalhado a um tratamento com propósito definido, tirando ou adicionando, enfatizando um efeito, atenuando outro, dando um toque colorido aqui, outro acolá, considerando cuidadosamente os possíveis efeitos e observando constantemente as leis do belo e do estilo. Neste trabalho o autor aplica seu julgamento mais criterioso e escolhe com inteira liberdade a expressão desejada. Seu material é para ele apenas material, subordinado ao seu propósito artístico: é isto que ele quer produzir e nada além disto. […]

Esse é um tipo de artista. Já o outro tipo, segundo Jung, é aquele que “tem consciência de estar submetido à sua obra ou, pelo menos, ao lado, como uma segunda pessoa que tivesse entrado na esfera de um querer estranho.”

O primeiro tipo (do qual talvez Cass McCombs seja um exemplo, pelo menos no que se refere à escrita de letras) expressaria uma atitude de “introversão” artística, enquanto o segundo (no qual me incluo) expressaria principalmente uma atitude de “extroversão”.

A simples menção das palavras “introversão” e “extroversão” já é capaz de causar muita confusão. Por isso, também me parece prudente mostrar como Jung define essas duas atitudes (pelo menos quanto à criação artística):

[…] O gênero introvertido caracteriza-se pela afirmativa do sujeito e de suas intenções e finalidades conscientes em oposição às solicitações do objeto; em contrapartida, o gênero extrovertido é caracterizado pela subordinação do sujeito às solicitações do objeto. […]

É por ter essa abordagem mais “extrovertida” que, com todas as limitações que a música me impõe no que se refere à escrita de uma letra, me sinto grato por ter algo que me leve a caminhos aos quais eu provavelmente não chegaria por conta própria.

O que, por sua vez, também tem tudo a ver com o fato de que este é o meu último texto para o blog, pelo menos por um bom tempo.

Não por falta do que dizer (a essa altura acho que já deixei bem claro que essa nunca foi a questão pra mim). Simplesmente pra poder direcionar os meus esforços pra que aquilo que canto se faça ouvir mais claramente.

Pelo menos praqueles que estejam dispostos a me ouvir.


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Henrí Galvão

17 de outubro de 2019

O próprio ato de se dedicar a qualquer expressão artística já pode ser considerado uma forma de brincar com fogo.

E é quando essa brincadeira fica séria que isso fica mais evidente:

Letra:

Nem eu mesmo entendo o que eu digo
Sou como um cego guiando outro cego
Já sofri todo tipo de castigo
Mas parece que nem assim eu sossego

Deixo o meu choro pra alguma hora
Em que alguém me reconheça
Já não é fácil me concentrar agora
Com tanta coisa na minha cabeça

Não sei o que eu fiz de errado
Que não sirvo pra ser nem infiel, nem crente
Não sei dizer nem o que é pecado

Será que o segredo é simplesmente
Passar pela vida como um exilado
E só estar aqui de corpo presente?

Arte e loucura

Das várias impressões a respeito do que um artista é – ou do que ele deveria ser –, talvez poucas tenham persistido por tanto tempo no imaginário coletivo quanto aquela que associa a sua personalidade a graus mais ou menos controlados de loucura.

Essa associação não é muito surpreendente se formos considerar que, pra maior parte do público, o paradigma de um artista de verdade é aquela figura misteriosa que se vale de surtos de inspiração pra sondar verdades que seriam inacessíveis a meros mortais.

Num ótimo texto escrito para a revista The Atlantic há alguns anos, o crítico literário americano William Deresiewicz denomina tal paradigma como o “gênio criativo”, e traça as suas origens ainda no século XVIII (com a ascensão do movimento romântico na Europa e todo o seu culto ao indivíduo).

O interessante é que no mesmo texto Deresiewicz aponta que não só esse paradigma foi substituído ainda no século XX pelo do artista “profissional”, mas até mesmo este último já estaria sendo substituído por outro (o do “empreendedor criativo”).

Por que, então, a ideia do “gênio criativo” continua exercendo tanto fascínio?

Imagino que isso aconteça, em parte, porque é mais glamouroso pensar em um indivíduo que simplesmente “nasceu pra fazer aquilo”, como se ele nunca tivesse estudado e praticado bastante também (mesmo que fora do círculo acadêmico).

Por outro lado, faço questão de ressaltar que não me parece que faz o menor sentido ir no extremo contrário – como volta e meia vejo por aí – dos que olham para a vida e a obra de alguém como Van Gogh e dizem que ele foi um grande artista não por causa da sua loucura, mas a despeito dela.[1]

Não acho que seja possível que um louco no sentido psicopatológico do termo seja um grande artista, mas essa associação também não é de todo absurda. Afinal, a criatividade artística se beneficia de certa dose de inadaptabilidade social, o que (querendo ou não) pode deixar um artista com um pé na loucura.

É claro que a coisa se complica um pouco na medida em que diversos artistas se valeram dessa expectativa por parte do público pra cultivar deliberadamente uma imagem de excentricidade. (O exemplo clássico disso no século XX foi Salvador Dalí.)

Mas a coisa fica séria mesmo não só quando um artista passa a usar tal expectativa como um “passe livre” pra atitudes que de outra forma seriam inaceitáveis, mas também quando ele/ela realmente acha que depende da “loucura” pra fazer algo realmente excepcional.

Ambas as situações me parecem ser o caso de Kanye West. Depois das várias polêmicas em que se meteu ao longo dos anos, não faz muito tempo que o rapper americano comentou que havia sido hospitalizado pra lidar com seu transtorno bipolar.

A própria capa do seu álbum de estúdio do ano passado, ye, diz: “I hate being Bi-Polar it s awesome” (“Eu odeio ser bipolar. É fantástico.”), e, numa declaração no Twitter meses depois, ele disse com todas as letras que os medicamentos que tomava estavam interferindo na sua criatividade.

O exemplo de Kanye é extremo, mas são muitos os artistas que sentem que estar demasiadamente “bem” poderia trazer consequências indesejadas ao seu trabalho. E talvez dê pra dizer que o que todos eles têm em comum é o medo do chamado estado de presença.

Isso é mais que compreensível para aqueles de nós que se identificam plenamente com a forma com que Carl Jung falava sobre a psicologia do artista: “a arte, nele, é inata como um instinto que dele se apodera, fazendo-o seu instrumento.”

Logo, ficar muito “centrado” pode facilmente ser visto como uma ameaça ao processo criativo, já que tal estado de espírito não nos faria “baixar a guarda” o suficiente pra que o “instinto” artístico se apodere de nós e faça o seu trabalho.

É um pouco como aquela famosa frase da psiquiatra Nise da Silveira: “Não se curem além da conta. Gente curada demais é gente chata.”

Caramba, como sair dessa?

Acredito que o próprio Jung oferece uma resposta bem satisfatória quando fala de individuação. Da forma com que ele entendia esse processo, podemos dizer que se trata de alcançar a autorrealização não exorcizando nossos demônios, mas justamente aceitando-os e integrando-os à nossa psique.

Ou seja, a questão não é se tornar alguém “curado”, mas simplesmente alguém mais “inteiro” – enfim, um indivíduo no sentido mais amplo do termo.

O grande barato disso para o artista, a meu ver, é a possibilidade de estar cada vez mais presente para se dedicar ao seu trabalho e, ao mesmo tempo, entregar-se a ele com um nível de devoção que antes pareceria quase inimaginável (quando não assustador).

Essa é uma ideia que pretendo desenvolver melhor no meu próximo texto (o qual, por sinal, será o último que pretendo publicar por um tempo), já que aqui entramos numa discussão que trata de dois tipos de abordagens muito diferentes em relação ao processo criativo.

 

[1] Aliás, é bem possível que Van Gogh sequer fosse considerado necessariamente louco se vivesse nos dias de hoje. De qualquer forma, o próprio entendimento do que é loucura mudou tanto nas últimas décadas que deve ser um verdadeiro desafio fazer uma análise mais precisa sobre alguém que viveu há mais de um século.


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Henrí Galvão

18 de setembro de 2019

Se é verdade que boa parte do potencial humano ainda está pra ser explorado, daí até que uma pessoa se sinta no direito de explorá-lo pode ter uma distância enorme.

E talvez pra muitos essa distância nem pareça que vale a pena de ser percorrida. (Até porque, pra essas coisas, o tempo nunca parece que joga a nosso favor.)

Letra:

Se já é tarde
Só posso ser quem eu sempre fui
Não vou renegar a vida
Que eu levei

Não se culpe
Você fez o que tinha que fazer
Eu é que nunca dei ouvidos
A qualquer tipo de sermão

Ser forte era tudo
O que eu queria ser
Quem estava lá
Quando eu mais precisei?
Compaixão, caridade
Tudo isso é uma miragem

Nunca me importei
De aprender a rezar
E não vai ser agora
Que eu vou começar
Por que não guarda
As suas preces
Pra quem de fato
Te merece?

“Ainda tenho de ser educada?”

Os últimos três textos que escrevi para o blog foram dedicados em sua maior parte a falar do quanto considero problemática a concepção de arte de um dos mais importantes místicos do século XX, o russo George Gurdjieff.

Mas talvez seja importante dizer que, se fiz isso, não foi por antipatia a Gurdjieff. Muito pelo contrário: não sinto nada além de gratidão pelo que venho aprendendo com os princípios do Quarto Caminho (que é o nome que ele dava à sua doutrina).

Destes, um que me fascinou de cara – e que, com o meu limitado conhecimento de espiritualidade e religião, eu nunca vi ser formulado de forma tão contundente em nenhum outro lugar – é o da diferença entre o saber e o ser.

Já falei sobre isso no texto que publiquei em junho aqui no blog, quando trouxe um trecho do livro Fragmentos de um Ensinamento Desconhecido (escrito por P. D. Ouspensky) em que Gurdjieff dizia que “o grau do saber de um homem é função do grau de seu ser”.

Pra melhor entender essa frase (e pra complementar tudo o que foi dito no texto de junho), transcrevo abaixo o que ele diz pouco antes disso:

[…] Na civilização ocidental muito particularmente, admite-se que um homem pode possuir um vasto saber, pode ser, por exemplo, um sábio eminente, autor de grandes descobertas, um homem que faz progredir a ciência e, ao mesmo tempo, pode ser e tem o direito de ser um pobre egoísta, discutidor, mesquinho, invejoso, vaidoso, ingênuo e distraído. Parece que aqui se considera que um professor tem que esquecer sempre seu guarda-chuva. […] (grifo meu)

Deve ser difícil achar uma pessoa que tenha alcançado certo nível de reconhecimento em qualquer área que não tenha, em maior ou menor medida, passado a se permitir ser menos vigilante em relação às suas fraquezas de caráter.

Pra trazer essa discussão pro campo da música, a frase-título do texto de hoje me parece um exemplo e tanto disso.

Elis Regina fotografada por Marcia Santos

Essa frase é geralmente atribuída a Elis Regina – considerada por muitos a maior cantora brasileira de todos os tempos –, sendo que a citação completa é a seguinte: “Por que exigem de mim tanta coisa? Sou boa cantora e ainda tenho de ser educada?”

É claro que seria injusto e irresponsável da minha parte querer tirar maiores conclusões sobre uma pessoa a partir de uma única citação, sendo que nem mesmo sei de que contexto ela foi tirada.

Mas, sinceramente, mesmo se descobrissem que essa citação foi toda inventada, isso faria pouca diferença pra mim. O que realmente me preocupa é que seja perfeitamente possível que uma grande cantora diga algo assim sem que isso cause estranhamento.

Imagina se, ao invés disso, ela tivesse dito: “Poxa, sou educada, gentil e meiga. Ainda tenho que cantar bem?” Esta citação, sim, seria um absurdo. Já a anterior, não. Por quê? É esse tipo de desequilíbrio, tão presente na nossa sociedade, a que Gurdjieff se referia.

Repare que não estamos falando de diferenças entre habilidades. É claro que qualquer pessoa que foque em determinada área dificilmente vai alcançar um nível parecido em outros campos da vida. (Seria demais esperar que Pelé fosse um grande cantor, por exemplo.)

A questão, como comentei alguns parágrafos atrás, é que estamos falando de qualidades de caráter. E não me parece uma atitude muito inteligente chegar ao ponto de sentir orgulho das próprias limitações no que se refere a isso.

Inclusive eu poderia defender essa minha argumentação com uma outra frase atribuída a Elis: “Importante é recuperar o ser para o próprio ser, na procura da melhoria da qualidade de vida.”

Se há uma certa contradição entre essa citação e a anterior, isso tampouco é de se surpreender. Outra coisa que Gurdjieff observava era o quanto falta à maioria de nós uma verdadeira unidade em termos de opiniões, intenções etc.

Como ele disse certa vez, “O homem está fragmentado numa multidão de pequenos ‘eus'”. Me parece evidente que Elis Regina não era uma exceção a essa regra.

(E eu, é claro, também não.)


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Henrí Galvão

16 de agosto de 2019

Não me considero cristão, embora tenha sido batizado e tenha feito a primeira comunhão e tudo mais.

Por outro lado, ultimamente venho me familiarizando um pouco melhor com as diferenças entre o Antigo e o Novo Testamento.

Não estou aqui pra tirar grandes conclusões, até porque a minha perspectiva seria até previsível pra quem realmente conhece a Bíblia.

Ainda assim, as diferenças entre o antes e o depois são consideráveis, não é?

Letra:

Veja o quão maravilhoso é o espetáculo da criação
Todo fruto lhe é permitido, exceto aquele – aquele não!
Prová-lo é ser deixado ao azar da intempérie que se seguirá
Quando as trevas trouxerem o caos e a desolação

Quem me desobedecer não será digno do meu perdão
Este será o primeiro a sofrer na minha mão
Eu sou o olho que tudo vê, não haverá onde se esconder
Quando as trevas trouxerem o caos e a desolação

Os rios serão cobertos de sangue
A noite cairá num só instante
E o terror estampará as faces
Do corajoso e do covarde

Não importa o quão justo você se julgue perante mim
Ou o quanto você anseie por antecipar o próprio fim
O seu destino eu já tracei, e a minha palavra é a lei
O que lhe é resta é esperar pelo dia da revelação
Não haverá tormento igual ao dos que seguem os caminhos do mal
Quando as trevas trouxerem o caos e a desolação