Henrí Galvão

14 de novembro de 2019

Teve uma vez uma música que decidi chamar de “Arcos”.

A música em si me agradava; a letra, nem tanto.

Agora que a reescrevi, posso resumir o que sinto numa única palavra: completude.

Pra que falar em anil
Violeta, ardósia e bordô
Se nem Picasso descobriu
O que fazer com tanta cor?

Qual a necessidade
De saber o ponto exato
Em que cada uma deve ficar?
Isso é pura falta de fé
E sem fé não dá nem pra começar

Não sei se você percebeu
Mas os pincéis que você tem
São iguaizinhos aos meus
É a mesma marca, meu bem

Qual a sua desculpa
Pra não ver o que eu vejo?
Olha só pra esse céu ao seu redor
O trabalho é o mesmo
Pra todo e qualquer desejo
Desde o menor até o maior

Com certeza você já duvidou
Dessa tal de realidade
Então, me diz,
Quem você pensa que eu sou:
Um homem ou um avatar?

Você já tem ao seu dispor
Tudo que alguém pode querer
Pra ser um ótimo pintor:
Conhecimento, poder
E amor