Henrí Galvão

20 de junho de 2019

Uma consequência de se estar frequentemente correndo contra o tempo – como é o meu caso – é sentir uma certa ansiedade que não se sabe nem de onde vem.

Deve ser uma ansiedade parecida com a de ler um livro sem ter ideia de quantas páginas ele tem:

Letra:

Não vou desperdiçar
Esse dom que a vida me deu
De me estropiar o quanto eu quiser
Desde que o azar seja só meu

Quem não está na minha pele
Acha que eu forço a garganta
Mas cantar não é difícil
Ficar calado é que cansa

Me disseram que eu só ia chegar
Até os 45, e olhe lá
Se for, isso é mais um motivo
Pra abrir um belo de um sorriso
A cada volta que o mundo dá

Não quero me gabar
Não foi pra isso que eu vim
Mas, se bobear, ainda vou estar aqui
Muito depois do fim

Confio no meu taco
Mais do que na minha fé
Quem sabe quando a montanha
Vai se mover por Maomé?

Mas não entendo como aconteceu
De me confundirem com um filisteu
Só porque eu tenho o olho grande
E o nariz mais redondo
Que uma bola de bilhar?
Quem sou pra me portar
Como um herege exemplar?
Não falo em nome de ninguém
Deus nenhum vai poder negar
Minha versão