Caçando cisnes negros

Um dos livros que mais me impactou nos últimos tempos foi A Lógica do Cisne Negro, de Nassim Taleb.

Pra quem nunca leu, dá pra resumir dizendo que ele fala sobre a nossa dificuldade (ou, melhor dizendo, incapacidade) de prever e lidar com eventos altamente improváveis – os cisnes negros.

Que podem vir tanto para o bem quanto para o mal.

E uma armadilha é justamente a de querer perseguir determinados cisnes negros – uma busca que talvez seja ilusória na maior parte do tempo.

Esse é com certeza o caso de muitos artistas (é só ler o capítulo 7 do livro, que por si só já é um soco no estômago).

E também era – de certa forma, ainda é – o meu caso:

Letra:

Um verso desbanca todas as intrigas
Qualquer que seja o ponto de partida
Ou a promessa que não foi cumprida
Por um impulso que não se soube largar

Todo sonho que atravessa essa fronteira
Já justifica uma vida inteira
De botar mais lenha na fogueira
Sem saber qual o limite da imaginação
Ou o que é certo e o que é só especulação

A gente cresce e desmerece
Todas as coisas que fazem perseverar
Mas de que adianta ficar
O tempo todo de olho no placar?

Às vezes acho que todo cisne é negro
E quanto mais me arrisco, mais eu vejo
Que o mundo é um labirinto de espelhos
Mostrando o infinito fora do lugar

Talvez nunca chegue o dia
Em que dê pra aceitar
Que sempre paga o maior preço
Quem tenta ver logo no começo o fim
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