Uma outra perspectiva sobre o processo criativo compartilhado

Ainda sobre a questão do artista levar em conta o feedback do público durante o processo criativo, quero falar de um vídeo recente de Steve Pavlina onde ele traz uma visão um tanto diferente daquela que abordei aqui mês passado.

Antes de tudo, acho importante dizer que Steve é uma das pessoas que mais respeito e admiro na área de desenvolvimento pessoal. Tanto é que a letra de uma das cinco faixas do meu EP Música de Passagem, “Spirit”, nada mais é que um poema seu.

Bom, no vídeo em questão Steve sugere que um artista considere “criar valor de uma maneira que você interativamente obtém feedback do seu público alvo, dos seus consumidores.” E esclarece:

Isso não significa obter feedback de todos, ou de algumas pessoas aleatórias. Significa obter feedback das pessoas pras quais você espera vender.

Esse é um ponto até bastante recorrente – diversas outras pessoas já vêm falando nisso, embora nem sempre de forma tão explícita –, mas que por algum motivo eu não levei muito em conta no meu texto anterior.

Talvez porque na ocasião eu foquei demais no que seria o papel da arte e do artista, e isso me levou a minimizar a importância desse artista se conectar com um público que esteja interessado, receptivo e até certo ponto preparado pro que ele tem a dizer.

Até porque estar atento à receptividade das pessoas não significa necessariamente tomar como ponto de partida o que elas desejam receber. Nas palavras de Steve:

Você não está delegando o processo artístico aos seus consumidores. Você não está dizendo “O que você quer?” (…) O que você está fazendo é pegando a sua ideia inicial (…) e compartilhando-a com eles e dizendo “O que você acha? Você gosta disso? Poderia ser melhorado? Você está interessado na direção que isso está tomando? Você acha que isso é algo que você poderia querer comprar?” E você obtém o feedback. E então você repete, você volta e melhora mais, você lhes dá algo mais.

Pensando aqui comigo, isso é basicamente o que venho buscando fazer com a minha playlist impermanente. Até por ela ser uma coleção de músicas sem o compromisso de ter um caráter definitivo, eu não me sinto desconfortável em pedir a opinião das pessoas a cada e-mail que envio pra minha lista.

E cada comentário que recebo (que por enquanto ainda são poucos, é verdade) certamente afeta a forma com que percebo o meu próprio trabalho, muitas vezes de maneiras que eu mesmo nem me dou conta.

No fim das contas, é por isso que faço o que faço. Se eu não sentisse a mínima vontade de ter algum tipo de reconhecimento, eu não sujeitaria essas músicas ao julgamento de outras pessoas.

Daí é possível concluir que todo artista que não queira estar fadado a ser mais uma voz no deserto tem o dever de reconhecer a importância de clarificar a sua mensagem e encontrar as pessoas que possam se conectar com ela. Independente de quão poucas possam ser essas pessoas.

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