Música e expressão corporal

No texto passado tomei como base a dissertação de mestrado em Comunicação de Bruno Vasconcelos Lima (UFPE), sobre os jogos de vídeo game Guitar Hero e Rock Band, pra comentar sobre como a música vem sendo cada vez mais valorizada enquanto experiência interativa.

Acredito também que isso ajuda a explicar o crescente interesse, ao longo das décadas, pelos componentes visuais em torno dos músicos e das músicas. Isso é sem dúvida bem mais evidente no pop, onde os artistas investem consideravelmente não só na produção dos shows, mas também em vídeo clipes, encartes de CDs, sites etc.

Tudo isso, no geral, está mais do que bom. Mas tantos estímulos visuais também têm um lado perigoso, já que o ouvinte frequentemente deixa de ter uma atitude mais proativa com a música. Proativa no sentido de saber a hora de se desprender um pouco desses adereços externos e “preencher os espaços” por conta própria.

Isso é, na verdade, algo até bem simples de se conseguir quando lembramos que a música sempre foi interativa por natureza. Só que menos pelo aspecto visual, e mais pelo aspecto corporal. Não é por acaso que, segundo o filósofo sufi Inayat Khan, a palavra “música” em sânscrito engloba três aspectos distintos e complementares: o canto, o toque e a dança.

E também não é por acaso que, mesmo hoje, os exemplos mais poderosos de interatividade na música ainda sejam as apresentações ao vivo. Penso principalmente em alguns dos melhores frontmen do rock (como Bono e Iggy Pop), cujo principal trunfo é justamente a capacidade de diminuir a distância – tanto emocional quanto física – entre eles e o público.

Isso me leva à conclusão que, de uma forma ou de outra, o mais importante pra experiência de imersão na música é poder senti-la e expressá-la com o corpo. Isso pode acontecer com um joystick na mão, ou pela simples abertura de se deixar levar pela narrativa que, de uma maneira ou outra, está sempre implícita naquela determinada sequência de sons.

dervixes

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