Seiji Yokoyama e o poder da música incidental

Uma vez comentei que se o espanhol Luis Eduardo Aute fosse americano ou britânico, ele seria tão reconhecido quanto o canadense Leonard Cohen. Esse é o mesmo sentimento que tenho em relação ao japonês Seiji Yokoyama: fosse ele norte-americano, teria facilmente vencido pelo menos alguns prêmios Emmy pelo seu trabalho na trilha sonora de Cavaleiros do Zodíaco.

Essa é uma opinião que guardo comigo há bastante tempo. Sei que sou suspeito pra falar, afinal, fui um garoto de nove anos no auge da popularidade da série aqui no Brasil. E apesar de não acompanhar as sagas mais recentes, perdi a conta de quantas vezes ouvi as músicas compostas por Yokoyama, que nunca deixaram de me encantar.

Tudo isso veio à tona ao ver os vídeos da segunda edição da Pegasus Symphony, realizada no Palais des congrès de Paris em abril desse ano. Basicamente, é um concerto que repassa muitos dos principais temas da série (o “Pegasus” do título, pra quem não sabe, se refere à constelação protetora do protagonista, o Seiya). Abaixo, uma pequena amostra:

Além de me deixar arrepiado, ouvir temas como esse me faz pensar na importância da música incidental (a tal “música de fundo”) pra um filme ou série. Acho que qualquer que já viu um trabalho audiovisual que teve a sorte de contar com uma trilha sonora marcante (com as de John Williams, por exemplo) reconhece isso. Mas quero ir além e dizer o seguinte: pra mim, metade da graça de uma série está na trilha sonora.

No caso dos filmes, é certo que alguns ficam até melhores sem muita música de fundo. É só pensar, por exemplo, em Sobre Café e Cigarros, de Jim Jarmusch, que nada é mais do que uma série de curtas-metragens em que diferentes pessoas se sentam à mesa pra falar sobre qualquer coisa (desde que pelo menos uma delas esteja bebendo café e fumando cigarro).

Mas numa série de TV é diferente. Se a trilha sonora não for ao mesmo tempo muito boa e muito variada, lá pela terceira vez que a mesma música toca você fica se perguntando se não tinha outra pra colocar no lugar. Foi esse o caso de um outro anime que curti muito, o Street Fighter II V. A trilha é ótima, mas são tão poucas músicas que o seu uso repetido acaba diminuindo o seu impacto (e isso apesar de ter só 29 episódios, bem menos dos que os 114 da série clássica de Cavaleiros do Zodíaco).

E é isso que torna Cavaleiros do Zodíaco um caso único. Dizem os fãs de anime (os desenhos animados japoneses) que essa é uma das séries mais fracas, pelo menos dentre as mais famosas. Não entendo muito disso (e não conheço a maioria das outras), então talvez seja mesmo. Só que pra mim é difícil encontrar uma trilha sonora tão incrível e ao mesmo tempo tão variada. Tenho certeza que é isso dá à série boa parte da sua mística, e lhe enche de poder e beleza mesmo depois de todos esses anos.

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3 comentários sobre “Seiji Yokoyama e o poder da música incidental

  1. De fato, a trilha sonora é parte vital das produções audiovisuais. A música tema então, se torna como uma identidade do filme ou da série.
    Não sabia que esse era o gênio por trás de uma música que marcou tanto minha infância. Muito obrigado por esse post!
    Abraço.

    1. diga lá Ivan, eu que agradeço pela sua passada por aqui! bom, acho que somos mais ou menos da mesma geração, então vc deve entender mt bem os meus sentimentos em relação a essas músicas.

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