O fiel da balança [ou Manifesto da Música Intrapessoal]

Falar do domínio intrapessoal é falar da habilidade de se conhecer a si mesmo, o que inclui motivações, medos e desejos. Logo, falar em música intrapessoal é falar da música que nos auxilia nesse propósito. É aquela em que o racional está subordinado ao emocional, e a técnica está a serviço dos princípios. É a música que nos instiga a olhar pra dentro, mesmo quando fala de eventos externos.

Isso nos leva a algumas considerações, e talvez a mais importante delas seja a crença na arte como algo mais que entretenimento. Isso não quer dizer que uma coisa deve se opor à outra; o entretenimento é algo muito valioso por si só. Walt Disney uma vez disse: “Eu preferiria entreter as pessoas na esperança de que elas aprendessem algo do que educá-las na esperança de que elas fossem entretidas”.

A questão é que o que se costuma chamar de entretenimento geralmente se restringe à diversão. Não tem nada de errado com isso, mas é bom saber que existem outras possibilidades. Além do que, mesmo a diversão, pra cumprir o seu papel de engajar de fato, requer atenção e foco da nossa parte. Ou, pra usar um termo bastante em evidência ultimamente, requer presença. Coisa que nunca esteve tão em falta.

Acredito que não falei nada aqui que já não se saiba de uma forma ou de outra. Mas uma coisa é saber, outra é vivenciar. Ainda mais nessa época de tantos estímulos e possibilidades, a habilidade intrapessoal é o verdadeiro fiel da balança. É aquilo que pode nos levar a desenvolver ainda mais nossas potencialidades, ao mesmo tempo que a sua ausência pode nos fazer chafurdar numa vida vazia de propósito.

Música intrapessoal é só um nome (que você tem todo o direito de achar pomposo demais). Ainda assim, é também um lembrete de algo que parece estar se perdendo, que é o entendimento da música como um caminho pro desenvolvimento humano e cultural. E é esse “olhar pra dentro” que abre a porta pra capacidade de transformação e nos leva a reconhecer o nosso papel criativo não só na arte, mas também na vida.

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