Sobre os boicotes ao Spotify

O texto de hoje é quase que totalmente baseado num artigo recente de Charlotte Hassan pro site Digital Music News, onde ela analisou os cada vez mais frequentes boicotes ao Spotify (o serviço de streaming de música mais popular atualmente) pra saber até que ponto essa prática é válida pros músicos, levando em conta principalmente as implicações dessa decisão nas vendas de álbuns.

Antes de mais nada, é importante dizer quais são as razões declaradas pra esse tipo de boicote (que às vezes vale apenas por algumas semanas, como no caso do último lançamento de Kanye West). A principal queixa é que o Spotify, ao contrário de muitos de seus competidores, oferece um serviço freemium – a versão gratuita com anúncios – pelo tempo que o usuário quiser.

O problema é que com a versão freemium o artista ganha bem menos dinheiro com a arrecadação de direitos autorais do que na versão premium (atualmente a $9,99 lá fora, e a R$14,90 aqui). Além disso, liberar o acesso gratuito a um álbum por toda a eternidade é considerado por alguns como uma desvalorização do trabalho não só do músico principal, mas também de todos os seus colaboradores.

Assim, voltando ao nosso ponto de partida: vale a pena boicotar o Spotify? Obviamente, isso depende muito. O que todos os artistas que o boicotam têm em comum (exemplos: Beyoncé, Drake, Taylor Swift e Radiohead) é o fato de serem já bem famosos e terem a admirável capacidade de mobilizar milhões de fãs independente do meio que escolham pra distribuir suas músicas.

Como Charlotte diz, pra músicos independentes (que são a maioria esmagadora, é sempre bom lembrar) a história é outra, afinal, o maior desafio aqui é justamente o de alcançar potenciais fãs. E abrir mãos dos serviços de streaming, que são hoje as principais plataformas de descoberta de música, tornaria essa uma tarefa bem mais complicada.

De qualquer forma, é um direito do músico ter total controle sobre a distribuição da sua obra. E isso pode significar restringir ao máximo o acesso através de serviços que ele julgue não valorizar devidamente o seu trabalho (como Prince fazia, pra tristeza e raiva de muitos). Só que, como sempre, a questão é bem mais intrincada que isso, e é sobre esses outros aspectos que deixo pra falar na semana que vem.

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