Sinergias entre músicos

Outro dia vi um vídeo de uma entrevista de Dave Grohl, ex-baterista do Nirvana (e atual líder dos Foo Fighters). Nos comentários no YouTube, algumas pessoas questionavam a sua importância pra banda de Seattle. Um comentário em particular me chamou a atenção, e era mais ou menos assim: “Kurt Cobain [vocalista, guitarrista e principal compositor] era 50% do Nirvana, enquanto que Krist Novoselic [baixista] e Dave eram 25%”.

Que Kurt Cobain era o principal responsável pela visão que a banda representava, disso ninguém duvida. Mas ao mesmo tempo acho uma bobagem sem tamanho querer quantificar a influência de um ou outro membro do grupo. Qualquer um que já fez música com outras pessoas (melhor dizendo, qualquer um que já trabalhou em equipe de alguma forma) sabe que qualquer interação está além da soma das suas respectivas partes. 1 + 1, definitivamente, não é igual a 2.

Por isso também acho desnecessário (apesar de interessante, confesso) quando leio uma entrevista de Paul McCartney ou John Lennon discutindo sobre o quanto cada um contribuiu pra cada música dos Beatles. Como todo fã da banda sabe, a maioria das canções creditadas à parceria Lennon/McCartney eram muito mais de um ou de outro. Mas daí a entrar nas minúcias de percentagens é não só um exagero, como nos distrai pro mais importante: nenhuma daquelas músicas sequer teria existido (pelo menos não como as conhecemos) se não fosse a influência direta ou indireta de cada um.

Uma sábia política nesse sentido vem de bandas como Red Hot Chilli Peppers e U2, que dividem os créditos pras músicas igualmente entre todos os membros (embora não na parte da letra). Isso não só ameniza qualquer tipo de ressentimento quanto a direitos autorais (que causou muitos danos a várias bandas, como os Byrds e os Rolling Stones), como é também um reconhecimento público de que estar num grupo possibilita fazer algo que nenhum dos seus integrantes conseguiria isoladamente.

Aliás, se semana passada comentei o último dos hábitos (“afinar o instrumento”) de Stephen Covey em Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes, essa é a oportunidade perfeita pra encerrar esse texto mencionando o sexto deles: “Crie sinergia”. Afinal, se um membro de uma banda se torna claramente o dono da bola (como Roger Waters no Pink Floyd), por que não escancarar a coisa e transformar o grupo num projeto solo? Isso não só é bem mais honesto com os fãs, como também evita que os outros membro se sintam desvalorizados por conta de expectativas frustradas.

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2 comentários sobre “Sinergias entre músicos

  1. Será que isso começa na banda e influencia os fãs nesse sentido, ou os fãs é que acabam contaminando a banda? É, a unidade deve ser o objetivo de cada membro para que o grupo seja visto como um todo. Abraço Henri.

    1. boa pergunta. a impressão é que, como sempre tem um músico que aparece e fala mais do que os outros membros da banda, há uma tendência de se achar que ele decide tudo. acho que isso tem muito a ver também com a nossa visão (geralmente um tanto deturpada) sobre o que significa ser um líder. grato pelo comentário!

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