Equilíbrios e preferências pessoais

O último dos hábitos descritos por Stephen Covey em Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes é o que ele chamava de “afinar o instrumento”. Isso se refere, basicamente, ao esforço consciente que uma pessoa ou organização deve fazer pra se renovar em quatro dimensões: física, social/emocional, espiritual e mental. Como Covey mesmo ressalta, “Negligenciar qualquer uma das áreas provoca um impacto negativo nas outras”.

Talvez por isso tenha se tornado cada vez mais comum em treinamentos de coaching o uso de um diagrama com diversas pontas, com áreas da vida como finanças, relacionamentos, carreira, saúde etc. Partindo desse diagrama, o ideal seria que as pontuações de cada item não destoassem muito entre si, o que resultaria numa vida mais equilibrada e plena.

Recentemente, pude ouvir uma perspectiva diferente vinda de David Hooper no seu podcast de marketing e empreendedorismo RED. Pra ele, a única pergunta a se fazer em relação a qualquer coisa é: “você quer mais ou você quer menos?” O exemplo que ele dá é o mesmo que ouço de muitos empreendedores em defesa do suposto desequilíbrio entre trabalho e descanso/lazer: uma pessoa que odeia o que faz com certeza vai querer ter muito mais tempo de descanso do que uma pessoa que ama o que faz. Esta, além de muitas vezes nem sentir o tempo passar, tem uma sensação de realização muito maior, o que faz do trabalho algo altamente significativo e, ao mesmo tempo, prazeroso.

Reconheço que a falta de equilíbrio não chega a ser um problema quando as coisas que estão faltando não são realmente desejadas. No entanto, embora no geral eu concorde com a posição de David Hooper, acho importante lembrar que é raro que alguém se conheça tão bem a ponto de saber sempre o que quer, e querer sempre aquilo que mais lhe faz feliz. Geralmente nossos pontos cegos nos distraem pra coisas que seriam bem vantajosas a médio e longo prazo.

Alguns exemplos são mais óbvios, como o de uma pessoa que se precipita achando que quer mais dinheiro, quando na verdade um investimento na sua vida espiritual provavelmente faria mais diferença. Em outros casos, no entanto, aquilo que mais ajudaria é algo bem sutil, que dificilmente é percebido no meio da rotina (por mais interessante que ela pareça).

No fim das contas, desconfio que seja o caso de simplesmente estarmos abertos a diferentes experiências. Mais do que qualquer coisa, é isso que nos dá a chance de encontrar perspectivas que, às vezes, nos fazem até mesmo rever completamente o que tínhamos como planos, objetivos e expectativas de longo prazo.

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4 comentários sobre “Equilíbrios e preferências pessoais

  1. Eu concordo plenamente contigo.

    Se for possível, que a gente sempre mergulhe em novas experiências pra tentar desenvolver novos panoramas e perspectivas antes nunca pensadas.

    Mas ao mesmo tempo as contas chegam religiosamente todo mês, então não apenas os privilegiados conseguem se dedicar apenas a conhecer a si mesmo e definir essa quase utopia do que “me faz feliz” e monetizar tudo isso ao ponto que trabalho e lazer se confundam.

    Eu acredito que mais do que achar de forma completamente egoísta do que nos faz feliz, é bacana pensar em novas formas de desenvolver projetos e trabalhos (porque às vezes nem é o fim que desmotiva, e sim a maneira, o como, o meio pelo qual fazemos as coisas e como elas nos são impostas…).

    Enfim, dei uma viajada agora, haha. Bacana o post! ❤

    1. Faz muito sentido. Como dizem, se não dá pra mudar o que, sempre dá pra mudar o como. Nem sempre é fácil, mas vale a pena (e não, não acho que você viajou). abraçs!

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