A foto de Málaga

Um bom tempo atrás, numa fase em que estava ouvindo muita música espanhola em geral, surgiu em mim a vontade de conhecer a Espanha. É claro que lugares como Catalunha, País Basco e Galícia me atraíam muito, mas como o que eu mais ouvia era flamenco, minha preferência era pela Andaluzia, terra natal da maioria dos grandes artistas do gênero.

Málaga em particular (mas não somente) tem uma forte cultura de música flamenca, o que era o bastante pra que eu sonhasse em conhecer a cidade, tendo inclusive colocado uma foto na área de trabalho do meu computador, tirada eu não sabia de que ponto, que mostrava a praça de touros de La Malagueta, e o porto ao fundo:

O tempo passou, eu terminei a faculdade e fui então (como descrevi no e-mail de boas vindas do site) trabalhar num navio que percorria o Mediterrâneo, mas não passava pela Espanha, a não ser duas vezes ao ano: ao ir da Europa para a América do Sul e vice-versa. Numa dessas ocasiões aproveitei que estava trabalhando à noite para acompanhar uma das excursões de passageiros (o que era/é permitido para os tripulantes, desde que não interfira com o horário de trabalho).

Obviamente que a minha primeira opção era ver um espetáculo de flamenco, mas como as vagas para essa excursão já estavam esgotadas, me contentei com uma outra, que incluía: conhecer a catedral “La Manquita”; passar em frente à casa em que Picasso nasceu; e visitar o castelo de Gibralfaro – o ponto alto (literalmente) do passeio.

Pra ser sincero, até então eu nem sequer tinha ouvido falar desse castelo, que também não me pareceu nada de tão extraordinário assim (por favor, me perdoe qualquer malaguenho que chegue a ler essas linhas). Chegando ao topo, porém, foi que fui pego de surpresa e, pelas linhas mais tortas possíveis, percebi a importância daquele momento pra mim: parecia que alguém tinha colocado na minha frente aquela mesmo foto que, anos antes, tinha me feito sonhar acordado com a cidade. A diferença sutil foi a de, dessa vez, ter o navio MSC Musica ao fundo:

Algumas pessoas vão preferir chamar isso de coincidência, sorte, aleatoriedade etc. Porém, se você não quiser aceitar esse tipo de (falta de) explicação, existem algumas opções. Napoleon Hill, por exemplo, em seu clássico livro Quem Pensa Enriquece, chamava isso de autossugestão. Hoje em dia, outros falam simplesmente em visualização ou mentalização, e alguns vão mais longe e (principalmente desde o sucesso do filme O Segredo) falam em “lei da atração”.

Eu mesmo não sei qual nome seria o mais adequado, mas tenho uma inclinação um pouco maior pra ficar com os estudos científicos a respeito. O psicólogo Neil Farber, por exemplo, fala não numa lei, mas num “princípio da atração”, o que já torna a coisa toda mais palatável para mim, e também para os mais céticos em geral.

De qualquer maneira, e independente da sua perspectiva, o ponto em comum de todos esses casos seria não desprezar as coisas que mais verdadeiramente te atraem, e buscar pensar menos no que não se quer e mais no que se quer. Uma missão que talvez não seja das mais fáceis, mas que com certeza vale muito a pena.

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