Afeto e aprendizado

Um princípio básico que já há algum tempo venho sentindo vontade de externalizar é o da importância do afeto no aprendizado. Sei que talvez isso não seja novidade pra absolutamente ninguém, mas como esse tipo de coisa me parece muito mais sentida do que dita, acredito que algumas considerações gerais não fariam mal.

Quando penso nos artistas de que sou fã, me vem à mente pessoas que deixam tanto de si mesmas no que fazem que é inevitável sentir como se já as conhecesse desde sempre. Assim, para mim o sentimento que predomina, acima de qualquer outro, é o da amizade. Ao mesmo tempo, sei que com uma boa dose de disciplina é possível estender isso a qualquer um, já que todos têm histórias pra contar, seja através de palavras ou através do exemplo.

Em maior ou menor grau, no decorrer da vida nos encontramos com diversos mestres, professores, gurus, ou como você preferir chamar. Alguns deles o são por anos e anos a fio, mas muitos (eu diria que a maioria) o são por apenas um momento, e muitas vezes quando menos se espera. Logo, pra termos a chance de capturar esse momento, um mínimo de abertura e interesse se fazem necessários.

Embora não seja necessário ver a toda e qualquer pessoa como amiga, uma recomendação básica é a de ao menos ter um senso de respeito pela vivência alheia. Por experiência própria, digo que o problema de se ter aversão por algo ou alguém é que, quanto mais se alimenta esse tipo de sentimento, menores são as chances de você aprender algo de novo.

Como se vê, trata-se de uma filosofia a se cultivar por questão de puro interesse próprio. Infelizmente, porém, talvez por passarmos boa parte do tempo querendo reforçar nossa autoimagem perante nós mesmos e os demais (e eu certamente não sou uma exceção), acabamos nos fechando pra muitas perspectivas, o que torna a vida não só mais difícil, mas também bem menos interessante.

Dizer todas essas coisas não significa que essa tarefa seja mais fácil pra mim, e na verdade esse é justamente um dos motivos pelo qual estou escrevendo esse texto agora. Ainda assim, se eu puder concluir esse raciocínio com um exemplo, talvez tudo fique mais fácil de entender.

Se você já teve a benção de se tornar amigo ou fã de uma pessoa que antes você detestava, você percebeu em primeira mão a beleza do sentimento de afeto. Esse sentimento, por sua vez, inevitavelmente te ajuda a desenvolver um verdadeiro senso de humildade. De forma simples e clara, você se torna mais e mais predisposto a dar o benefício da dúvida perante um evento, antes de querer julgar algo ou alguém pelo que (ainda) não compreende bem. E é nesse pequeno espaço, nesse breve momento, que você mais cresce de fato.

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