O que (não) aprendi com Steve Pavlina

A primeira vez que visitei o blog de Steve Pavlina foi bem na época em que comecei a pesquisar mais sobre como encontrar um  propósito na vida. Isso me levou a um artigo seu sobre como descobri-lo em cerca de 20 minutos (“How to Discover Your Life Purpose in About 20 Minutes”). Basicamente, segundo Pavlina, o seu propósito será aquele que, assim que você conseguir colocar no papel (ou na tela) vai te fazer chorar. Fiz o exercício proposto por ele por bem mais de 20 minutos (me lembro de ter ficado pelo menos uma hora escrevendo), mas ainda assim acabei não chegando ao resultado desejado.

Pouco depois, vendo outros posts na seção dos melhores do site (que, pelo que entendi, na verdade são simplesmente os seus artigos mais populares), me deparei com um texto no qual ele propõe um exercício pra que você se autocondicione a levantar assim que o alarme dispara. Durante semanas segui as orientações desse texto, mas novamente não obtive resultado.

Apesar disso, me vi cada vez mais voltando ao seu blog. As razões mais específicas para isso provavelmente caberiam melhor em outro texto. Mas em linhas gerais, posso dizer que Pavlina me parecia então um dos poucos que transitavam de forma igualmente confortável pelos terrenos da psicologia e da espiritualidade. Dessa forma, ele conseguia (e ainda consegue) ter um senso de praticidade muito grande sem perder de vista um propósito maior.

Essa característica em particular é algo que me chama muito a atenção desde o meu primeiro contato com a obra de Riso e Hudson. Realmente não vejo muita diferença em falar em autoajuda, desenvolvimento pessoal, espiritualidade ou o que mais você queira. Embora esses termos não sejam sinônimos (e você possa perfeitamente se associar a um deles e ignorar os demais), no fundo isso não é o mais importante. O mais importante é a ideia subjacente de conscientização e crescimento internos, que por sua vez nem sempre trarão mudanças facilmente observáveis em curto prazo.

E é por isso que eu tanto recomendo também o seu livro Pessoas Inteligentes Sabem o que Querem. Não é nem de longe o livro mais divertido do mundo, já que é escrito de forma bastante sistemática, e pede pra ser lido aos poucos. Mas, para além da boa quantidade de exercícios práticos, Pavlina oferece um verdadeiro modelo de compreensão da realidade bastante sólido, baseado nos princípios que ele considera os mais fundamentais, ou seja: verdade, amor e poder.

É óbvio que, como mencionei no texto anterior sobre o Eneagrama, todo modelo é, por definição, limitado. Mas qualquer “problema” tende a ser minimizado consideravelmente quando se tem isso em mente, e quando não se coloca o “professor” ou “mestre” numa posição de guru. Essa última observação talvez não se fizesse tão importante não fosse a quantidade considerável de admiradores de Steve Pavlina que tendem a se tornar verdadeiros fanboys. Mas esse também é um assunto que, quem sabe, fica pra outro texto.

Anúncios