U2 e a vocação para a grandeza

Se você se cadastrou na newsletter do site, você provavelmente já recebeu o e-mail de boas vindas, no qual eu conto um pouco da minha história e menciono brevemente a importância do U2 para a minha formação musical. Logo, gostaria de deixar avisado que se tem um artista ou grupo sobre o qual me é difícil falar com uma boa dose de objetividade, são estes quatro homens de Dublin.

Feita essa ressalva, acredito que esse é um momento bem propício pra celebrar a banda. Como estou longe de ser um super fã, a minha adoração pelo U2 é algo bastante cíclico (o que, desconfio, é comum para a maioria das pessoas). Ao mesmo tempo, porém, ser um admirador da banda me ajuda a ter uma perspectiva um tanto diferente do que me parece a da maioria dos ditos formadores de opinião, e até mesmo do público em geral.

Até certo ponto, não é difícil pra mim entender as críticas que normalmente são feitas em relação ao grupo e em relação ao Bono, principalmente sobre a questão da sua megalomania (que ele próprio já confessou em mais de uma ocasião). Você pode achar que o que eu estou prestes a dizer seja uma bobagem, mas sempre preferi ver todo esse aparente exagero como a vocação para a grandeza da banda. É importante notar que o U2 surgiu numa época (final dos anos 70) em que se acreditava piamente no poder da música como um verdadeiro catalisador de profundas mudanças sociais.

Isso é algo que infelizmente vem se perdendo cada vez mais, ao ponto em que hoje falar nesse tipo de coisa chega a ser uma verdadeira aberração. Consequentemente, quando se menciona, por mais breve que seja, qualquer tipo de ação para tornar o mundo melhor através da arte, a atitude que impera é a do cinismo. Mas eu realmente gostaria de pelo menos te fazer perceber que, se falo no poder da música enquanto instrumento de transformação, isso não vem da boca pra fora. Isso é, antes de tudo, o resultado direto de ter sido um garoto de 12 anos que, ao ver na MTV o vídeo de “Staring at the Sun”, passou a enxergar o mundo com outros olhos, e muitas vezes pensar em coisas que nunca antes havia pensado.

Sei que tudo isso pode soar uma grande tolice, mas desconfio também que é isso que significa ser fã de uma banda. É se sentir em comunhão com aquelas pessoas, numa relação de profunda empatia. Mais do que isso, é por um instante ter a insensatez de voltar a um estado de vulnerabilidade, e se permitir ser tocado sem medo de parecer ridículo. É enxergar grandeza outros talvez vejam megalomania, e enxergar inocência onde outros veem ingenuidade.

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