O que é sucesso?

Por alguns anos dei aulas de inglês num curso que trazia, como tópico de uma de suas redações, uma pergunta bem simples e direta: qual é a sua definição de sucesso? As respostas que me vinham, como é de se esperar, eram as mais variadas possíveis. E, ao mesmo tempo em que era realmente fascinante ver como cada texto me transportava pro universo dos valores de cada aluno, por outro lado eu mesmo nunca me preocupei em responder a essa pergunta – nem sequer internamente –, o que me leva a pensar que talvez eu estivesse perdendo uma boa oportunidade de me enxergar sob outra perspectiva.

Pensando bem, talvez eu nunca tenha me preocupado muito com essa palavra porque, para a maioria das pessoas, dificilmente eu seria visto como alguém particularmente ambicioso. Hoje vejo que essa minha resistência (ou, melhor dizendo, indiferença) se deve muito mais ao meu entendimento e internalização dos principais valores da nossa sociedade, que subentende o sucesso como um misto de alta renda, exposição midiática (caso isso se aplique) e uma posição hierárquica elevada.

No entanto, sucesso é uma daquelas palavras (assim como felicidade e liberdade) que pede por um olhar mais atento e singular.  A meu ver, se você busca criar um propósito para a sua vida e consegue, nesse processo, expandir de forma constante e consciente a sua própria zona de conforto, você já é um sucesso. Se essa definição te parecer muito vaga, é justamente porque ela depende das vivências e objetivos de vida de cada indivíduo.

Logo, em outros termos eu poderia te dizer: sucesso para mim é estar consistente com a minha visão de mundo, e ver cada vez mais os meus valores materializados nas minhas próprias experiências. Essa distinção é particularmente importante porque, caso você se encontre muito identificado com os valores sociais mencionados no segundo parágrafo, você vai se ver ansiosamente buscando cada vez mais dinheiro, visibilidade e autoridade perante outras pessoas – a tão mencionada “corrida dos ratos”.

Por si só, não há nada de errado com essa mentalidade. É claro que você pode sim querer tudo isso, mas a pergunta que nunca vai calar é: por que querer essas coisas? Se você não tem uma resposta clara para essa pergunta, me arrisco a dizer que nenhuma realização externa vai te dar um bom senso de direção, e o resultado lógico disso é basicamente uma vida em que se pode ter de tudo, exceto o que há de mais importante: um verdadeiro senso de apreciação e gratidão por cada dom e cada conquista na sua jornada.

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