O melhor conselho que já ouvi

Quando comecei a ler mais sobre desenvolvimento pessoal e espiritualidade, me deparei com vários autores que ressaltavam, cada um a seu modo, a importância de se ter um senso de propósito na vida. Frequentemente essa ideia me vinha (não sem alguma razão) atrelada com a noção de se “encontrar” esse propósito (mais ou menos como um dentista que procura por tártaro entre os dentes). Essa me parecia uma tarefa de uma densidade absurda, visto que se fazia necessário cada vez mais introspecção para finalmente chegar a essa “resposta mágica”.

Foi então que me deparei com um artigo do autor e empreendedor norte-americano Jonathan Fields chamado “What If I Choose Wrong?”. Nele, Fields mencionava a entrevista que fez, como parte de seu Good Life Project, com o renomado guru do marketing Seth Godin. A resposta de Godin para a pergunta título do texto (“E se eu escolher errado?”), e que coincide com a resposta que o próprio Fields frequentemente dá, é bem simples: não importa.

O simples fato de se escolher é que faz com que um caminho se torne “o” caminho. Em outras palavras, ação traz clareza, muito além de qualquer noção preconcebida do que seria certo ou errado. Falando assim parece tudo muito fácil, mas posso garantir que isso foi algo que demorei a entender, e que desde então me tirou um peso enorme para voltar a vivenciar e experimentar com diferentes possibilidades na vida. Dessa vez, porém, com a diferença de que pude fazer muitas coisas de forma bem mais consciente do que antes.

É claro que a capacidade para introspecção é importante. Afinal, pro que quer que se faça o impacto e a abrangência é muito maior quando há um fio condutor por trás. Num outro texto, até como forma de levar isso em conta, Fields faz duas ressalvas para que uma determinada escolha faça mesmo a diferença: o comprometimento em se estar presente e engajado; e uma atitude de curiosidade e abertura, mantendo a mente de um estudante.

Curiosamente, depois que a “ficha caiu” pra mim foi que passei a reparar cada vez mais em outras pessoas que disseram a mesma coisa de maneiras diferentes. O fato é que as palavras de Fields não eram necessariamente melhores do que as de outros, eram apenas o que eu precisava naquele momento. E depois que algo se torna claro é possível olhar com outros olhos o que já estava ali, bastante evidente, ao ponto em que me pergunto como isso pôde me ter passado despercebido antes. Afinal, um dos que já havia resumido tudo em poucas palavras – numa citação repetida à exaustão – foi o poeta espanhol Antonio Machado: “Caminante, no hay camino,/se hace camino al andar”.

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